Brasil primeirão. E sem Neymar.

Foto: AFP
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Se não foi o jogo dos sonhos, deu pro gasto, o suficiente para o Brasil de Tite bater a Venezuela, em Merida, e saltar para o primeiro lugar das Eliminatórias para a Copa do Mundo. Feito de se tirar o chapéu, posto que Tite colheu a nossa Seleção na repescagem e, com quatro vitórias seguidas, já somos líderes.

Aliás, o que se observa no nosso time é não só o nível de organização tática, o jogo jogado em conjunto, como, sobretudo, a confiança com que os nossos jogadores se dedicam à tarefa de aplicar em campo esse estilo. E, nesse modelito, estão impressas claramente as digitais do treinador, a antítese de seu antecessor Dunga.

Tudo começou em Merida logo aos 7 minutos, quando o goleiro venezuelano, ao devolver mal a bola a jogo, foi interceptado por Gabriel Jesus, que, com calma e categoria, dominou a bola e deu aquela cavadinha fatal: 1 a 0.

Mais tarde, também aos 7 minutos, só que do segundo tempo, coube a Willian, o substituto de Neymar, ampliar para 2 a 0, aproveitando cruzamento exato da esquerda de Renato Augusto, o cérebro e pulmão dessa equipe.

E aí, então? Dispensamos Neymar?

Nem pensar! Pois justamente o que faltou à Seleção, se comparada com a das três vitórias iniciais de Tite, foi exatamente o talento, a velocidade e as invenções de Neymar, que elevam a equipe a outro patamar, além de disseminar o pânico em qualquer defesa adversária.

A diferença é que, se na etapa anterior nosso time dependia exclusivamente de Neymar, agora já nem tanto. Podemos respirar sem ele. Mas, aspiremos por ele, se quisermos subir na vida.

(Ah, sim, para coroar tudo isso, pouco antes, a Argentina perdia em casa para o Paraguai com um futebol tíbio e desorganizado,, por 1 a 0. Legado de Bauza.)

NA LINHA DO GOL O Uruguai é a Itália da América do Sul. Joga toda fechadinha lá atrás, marca, nem que seja na porrada, e aposta em dois ou três contragolpes que acabam dando resultado. E só por isso se mantêm na vanguarda do futebol continental. É um jeito de ser, que fazer? Nesta noite de terça, os celestes foram a Barranquilha e cavaram um empate por 2 a 2 com a Colômbia, do mesmo jeitinho, embora levassem um verdadeiro sufoco dos donos da casa, do início ao fim. Isso, porque, entre outras coisas, a exemplo dos italianos, que produzem um craque de meio de campo de tempos em tempos, desde que me conheço por gente, vestiram a Celeste apenas três ou quatro craques: Schiaffino, na década de 50; Pedro Rocha, nos sessenta; Francescoli, em seguida, e, por fim, Recoba. Hoje, vive das bolas esticadas a Cavani ou Suárez. É pouco, embora esteja lá em cima na tabela das Eliminatórias da Copa do Mundo. Ainda. Ah, sim, e a Colômbia com direito a dancinha da cueca de Mina. Não confundir com cuenca, ritmo da região.

Tenho visto um balaio de jogos das Eliminatórias Europeias. E, confesso minha decepção. Cada joguinho ruim, meu… Mas, isso se explica por dois motivos: o primeiro, a fragmentação dos países do Leste Europeu, que enfraqueceu o futebol de países representados no passado por Iugoslávia, Tchecoslováquia e União Soviética, basicamente; em segundo, pelo aumento de vagas, tanto nas Copas Europeias de Clubes quanto de Seleções.

Quem inventou essa moda foi João Havelange, na Fifa, que, sob o pretexto de incrementar o futebol nas zonas periféricas do Primeiro Mundo, mas de olho nos votos das federações e confederações até então desprezadas, foi ampliando a participação de seleções na Copa do Mundo. Dobrou de dezesseis para trinta e duas participantes. O que estimula o novo presidente da Fifa a pretender elevar para quarenta e oito. Em geral, quantidade reduz a qualidade. É o que está acontecendo.

Pelo sim, pelo não, quem anda mostrando um fino futebol é a Alemanha, que bateu em Hannover a Irlanda do Norte por 2 a 0. Isso, porque a retranca verde era tal que, placar definido, os alemães deixaram pra lá, no segundo tempo. Mas, pelo menos, valeu a pena acompanhar o jogo até o fim. Ao contrário de Holanda e França, da véspera. Êta joguinho enfadonho… 

6 comentários

  1. O goleirão da Venu tá com o Titão e não abre, entrega.
    A Venezuela é a Bolívia sem medo de bananas, porém, escorrega nas cascas. Timeco fraquinho escadinha de calouro.
    Avaliar que o Brasil está evoluindo ao ganhar da Venezuela desclassificada na noite chuvosa de Mérida por 2 x 0 é um golpe na seleção da CBF.. O carro de Tite segue em alta velocidade é bem verdade, mas, sem a devida manutenção e sem se importar que mais na frente há um caminho cheio de buracos e uma curva pra lá de fechada. O nome das peças que vão quebrar por fadiga pois já deveriam ter sido substituídas sob risco de acidente tem nome: Fernandinho, Willian, Paulinho Casemiro o Rei do Real, Daniel Alves, Miranda. e Titi Chorão

    1. Pelo que leio seus comentarios ,Sr Sardinha voce quer um futebol utopico,que nossos meninos não são capazes de praticar,mas deixa um pouco e olhe apenas que já houve evolução do anão para Tite.

      1. Sr. Jânio eu acho que o Tite é melhor sem dúvidas que o Dunga. O problema é que ele convoca mal e como Dunga é medroso. Vamos aos fatos. Como pode ele escalar para jogar contra a Venezuela desclassificada Paulinho e Fernandinho juntos e deixar um jogador como Lucas Lima no banco? Imagine agora o que ele não fará num jogo contra um time de alto nível. Esse é o problema de Tite. Medo. Isso vem de onde? Da escola gaúcha de futebol, é cultural não muda e não mudará nunca pois eles se espelham nessa escola onde se prioriza o futebol força, pegador onde o jogador corre mais do que pensa. Se queremos copiar o futebol uruguaio estamos definitivamente no caminho certo, só que os resultados são estes ai que os uruguaios conquistaram nos últimos 60 anos. Nada.

        1. Concordo com voce que temos que melhorar e que Tite é apenas uma melhora em relação aos outros treinadores : porque técnico de futebol no Brasil em atividade não temos e é nessas hora ,de mudar , faser uma alteração é que gente ve a deficiencia dos nossos comandantes.

    2. Pois é, anti-tite, são pessoas como você que personificam a desqualificação de qualquer trabalho por merecimento. No caso em específico, o futebol brasileiro.
      Não há muito o que escrever, poderia “digitar” um livro como resposta, e, mesmo assim não haveria concordância. Quem sabe se o técnico do seu time de coração, no lugar do tite, já estaríamos classificados ou coisa maior?

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