
Mesmo não sendo, é, sim, um jogo decisivo, esse Palmeiras e Flamengo a ser disputado na noite desta quarta, no Allianz Parque (Arena Palmeiras é a mãe do cara do marketing que se apodera das redações de jornais, rádios e tevês).
Aliás, esse é o sal dos campeonatos em pontos corridos, lá e cá. Além de ser menos injusto do que todas as demais formas de competições, é aquele que distribui emoção ao longo de toda a temporada.
O Palmeiras é o líder, com todos os méritos, pois foi o mais eficiente na maior parte do torneio, além de, em vários momentos, apresentar um futebol de primeira, veloz, envolvente e contundente. Além do mais, plantou nos campos brasileiros a semente de um craque predestinado a ganhar fama mundial – o menino Jesus.
De seu lado, depois de flutuar um tempo na zona mais distante do topo da tabela, disparou no segundo turno e chegou aos calcanhares do líder, com todas as chances de ultrapassá-lo nessa noite mágica, embalado pela lembrança do último título brasileiro conquistado, em situação similar.
E, como no futebol certas superstições resistem ao tempo na memória do torcedor, a presença do técnico Zé Ricardo, um modesto interino transfigurado em professor de escol, remete à experiências vitoriosas do passado rubro-negro: Carlinhos Violino, Andrade, Jaime de Almeida, pra não ir mais longe, resgatando a figura de Flávio Costa (o primeiro a ser chamado Professor), que, de auxiliar de Dori Kruschner, no final da década de 30, acabou tomando conta do Fla, do Vasco e da Seleção Brasileira por anos a fio.
Embora tão distintos, Palmeiras e Flamengo, nesta quadra da vida do futebol brasileiro, têm algo em comum: ambos amargaram o fel do fracasso durante um bom tempo até que suas novas gestões decidissem atacar o câncer das dívidas insolvíveis que impediam a montagem de times fortes e competitivos de acordo com suas velhas tradições.
E até nesse processo escolheram caminhos diferentes.
No Palmeiras, o presidente Nobre, banqueiro, rico e abnegado, meteu a mão nos próprios bolsos e foi acertando as contas antes de acertar o time.
No Fla, Bandeira de Melo, um administrador de empresas que trabalhou por anos no BNDES, trancou o cofre por um bom período, acertou o livro d contabilidade, e, quando sanou as contas, passou a reforçar o time, com alguns famosos tipo Guerrero, Leandro Damião (que voltou a jogar bem depois de anos de estiagem) e, sobretudo, Diego, capaz de conferir aquele toque de classe na armação da equipe.
Pois é, amigo, nada é de graça neste mundo. E aí está o resultado: que vença o melhor dos melhores.
Alberto Helena Jr.
Excelente texto como sempre, mas é uma surpresa para mim o fato de o presidente do “Framengo” ter sido funcionário do BNDES por vários anos, não é o mesmo banco que está enrolado na negociata do estádio do itaquerão, então está explicado de onde vem dinheiro que o “Framengo” usa para tentar pagar sua gigantesca dívida inclusive tributária, é dinheiro público que jorrava para o “Curintchia” e agora as torneiras estão abertas para os urubus, como diria o Boris Casoy….isto é uma vergonha. Saudações palmeirenses.
J JUNIOR, contrariando o que o sr. disse,a Professorinha é mesmo do Ataufo Alves, foi mestre João Saldinha de Franca ( ou de Franco da Róicha ? ) que disse !