À tarde, o Peixe deslizou na Vila diante de um Galo que, nos raros momentos de superioridade (começo da etapa final), tomou o segundo gol e desmantelou-se de vez.
Sim, porque, bola rolando, o Santos partiu pra cima, criou três claras chances com Ricardo Oliveira, e marcou aos 11 minutos naquela cabeçada letal de Gustavo Henrique. E, de cabeça também, Ricardo se recuperaria no segundo tempo pra timbrar sua marca de artilheiro já no finzinho, em rápido contragolpe: 3 a 0 sobre um rival direto na zona nobre da tábua de classificação.
Pois esse Peixe é assim: mesmo desfalcado de vários titulares, tanto pode chegar à meta adversária via troca de passes e envolvimento quanto disparar contra-ataques velozes e mortíferos.
Mas, se o Santos segue sendo um prodígio, o Galo ficou devendo, sobretudo Robinho, que parece ter se acanhado diante do clube que o revelou para o futebol e sua torcida de quem era mito até a véspera de seu regresso ao lar.

Já o São Paulo, embora tivesse maior posse de bola em casa, diante do rabeira Botafgo, de quem surrupiou o técnico dois dias antes do confronto, não conseguiu chegar lá.
Teve, claro, duas ou três oportunidades com Chavez, além de algumas bolas cruzadas na área, mas a maior chance esteve nos pés de Pimpão, que cara a cara com Denis, tentou um passe na dividida para um companheiro, cortado pela zaga tricolor.
Mas, antes do apito final, Diogo Barbosa escapa pela esquerda e cruza pra Sassá em cima da risca tocar às redes tricolores.
E assim o São Paulo vai cumprindo a pior campanha dentre os paulistas, bem atrás de Palmeiras, Santos, Corinthians e Ponte Preta, e cada vez mais próximo da zona da vergonha.
Caro Albero Helena Jr., considero você e o Anterro Greco, da ESPN, como os pouquíssimos comentaristas credíveis e com opiniões coerentes, em nosso futebol. Infelizmente, a mídia se comporta de forma clubística, “jogando” para as massas, militante; para com seu clube e incapaz de ter fazer uma análise racional em cima dos muitos fatores que cercam um jogo e, também, a história do futebol brasileiro.
Como exemplos, cito nossa seleção olímpica, que iniciou mal os dois primeiros jogos, mas nenhum comentarista
se deu o trabalho de analisar; talvez para jogar para as massas, que os jogadores europeus estavam vindo de férias superiores a 60 dias, e que só entrariam em forma com o decorrer dos jogos, além das péssimas condições do campo de grama e areia do Mané Garrincha.
Nesse mesmo diapasão a mídia clubística e militante, teima em apagar a época mais áurea de nosso futebol, que foi os anos sessenta. Eles, a despeito da realidade e das inúmeras manchetes de jornais e revistas, teimam em dizer que os clubes campeões do Brasil, naquela época, não eram campeões brasileiros. Claro, fazem isso porque seus clubes foram incapazes de ganhar tais campeonatos, pois para disputar o Brasileiro de 1959 e anos sessenta, tinha que, antes, ganhar o estadual.
Afinal, será se esses comentaristas acham tal atitude digna e honesta? Por que desmerecer os títulos brasileiros daquela época áurea, somente porque os clubes de São Paulo e Rio só entravam na reta final? Esse era o regulamento possível, naqueles tempos. Os primeiros títulos nacionais de Real e Barça, por exemplos, também eram disputados em circunstâncias completamente diferentes das atuais.
Desonestidade intelectual é inadmissível.
Acho importante falar sobre o Santos visitante, que na rodada anterior foi “engolido” pelo America MG, simplesmente o último colocado, e com louvores…….