Heróis do mar encontraram o caminho

(Foto: JEAN-PHILIPPE KSIAZEK / AFP)
(Foto: JEAN-PHILIPPE KSIAZEK / AFP)

Depois da calmaria, finalmente os heróis do mar, como reza o hino de Portugal, encontraram o caminho da vitória. Sim, porque até esta quarta-feira, os lusos não haviam vencido um único jogo no tempo regulamentar. Foram passando de fases na prorrogação ou na cobrança de pênaltis, e assim seguiram durante todo o primeiro tempo contra Gales, na luta por uma vaga na decisão da Eurocopa.

Mas, na etapa final, Portugal foi arrasador: meteu dois gols, com Cristiano Ronaldo, de cabeça, e Nani, em desvio de chute do segundo maior do mundo, CR7, claro. Tanto, que poderia ter fechado esta semifinal com uma goleada de quatro ou cinco, sem exagero, diante das chances criadas por Nani, Ronaldo, Danilo, João Mário e Renato Sanches.

E aqui quero me centrar no significado da presença desse menino de 18 anos de idade, Renato Sanches, que iniciou o torneio no banco, foi entrando aos poucos na equipe, e, quando se firmou como titular, dinamizou o meio de campo lusitano a ponto de colocar em jogo Cristiano Ronaldo, até então o artilheiro do time mas com rala participação por falta do devido apoio de trás.

O amigo vai dizer, a exemplo do meu querido Belletti na transmissão da Sportv, que Sanches errou este ou aquele passe, este ou aquele drible, ao contrário do que ocorrera nas vezes anteriores. É verdade. Mas, a dinâmica que ele imprimiu ao meio de campo de sua seleção foi incontestável e fundamental pra que Portugal tivesse o volume de jogo que teve.

Quanto a Gales, que surpreendia ao longo da competição, sempre foi dependente de dois jogadores básicos: o armador Ramsey e o espetacular atacante Bale. Sem Ramsey, suspenso, tudo se resumiu a Bale, que, por mais incisivo e decisivo que seja, acabou sendo pouco para as aspirações galesas, embora saia da disputa deixando seu nome gravado na eventual Seleção da Eurocopa deste ano.

NA LINHA DO GOL

Antes da partida, a tv exibiu o estádio de rúgbi de Cardiff lotado de torcedores galeses assistindo à semifinal pelos telões. Fiquei aqui, então, matutando como será num futuro breve, quando a tecnologia da realidade virtual atingir seu auge de sofisticação (essas coisas andam à velocidade de deixar a Ferrari vermelha de vergonha). Imagino, então, algo assim, ó: o jogo rola em Lyon, e, em Cardiff, o torcedor, munido de um par de óculos especiais, está assistindo ao jogo virtual sendo disputado no seu próprio estádio, como se ali fosse de verdade. Que tal?

Tudo indica que o Sevilha está mesmo a fim de Ganso. E que o jogador, com 27 anos, idade em que um profissional da bola atinge seu melhor momento, parece decidido a aceitar a investida. A não ser que a proposta do clube espanhol seja indecente, tá na hora de Ganso cair fora, sobretudo indo para um clube como o Sevilha, que tem história, está sempre vencendo a Copa da Uefa, e que sofre pouca pressão. Aliás, seu estilo de jogo casa-se bem com o espírito um tanto mais refinado do andaluz em geral. Aqui, Ganso, por mais que jogue, continuará sendo estigmatizado de lento, pouco participativo e tal e cousa e lousa e maripousa, embora as estatísticas provem o oposto. Lá, ele terá mais uns cinco anos para evoluir tática e tecnicamente. E, aqui, o São Paulo reduzirá seus gastos mensais e terá um substituto capaz de suprir a ausência de Ganso, com o menino Lucas Fernandes quando este estiver plenamente recuperado.

 

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