As três gotas da Eurocopa

Portugal's forward Ricardo Quaresma celebrates after scoring a goal during the extra-time in the Euro 2016 round of sixteen football match Croatia vs Portugal, on June 25, 2016 at the Bollaert-Delelis stadium in Lens. / AFP PHOTO / FRANCOIS LO PRESTI
FRANCOIS LO PRESTI/AFP

Se o amigo espremer os três jogos da rodada deste sábado na Eurocopa, cairão três gotas de emoção: o segundo tempo da Suíça diante da Polônia, coroado por aquele gol fantástico de Shaqiri; a devoção de Bale à sua seleção, surpresa da disputa desde as eliminatórias; e, finalmente, os últimos minutos de um joguinho vagabundo entre Portugal e Croácia, que ganhou um pouco de vida com o gol solitário de Quaresma.

Gol que deu a classificação a Portugal, ao contrário do de Shaqiri, pois a Suíça perdeu nos pênaltis, depois da prorrogação inócua.

Aliás, até aqui, tirando alguns breves momentos de França, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Bélgica, a Eurocopa tem sido uma grande frustração do ponto de vista técnico. Resultado da herança maldita de João Havelange, deixada quando presidente da Fifa e colhida pelo já deposto Platini na Uefa.

Sim, porque Havelange, ao assumir a Fifa, em 74, abriu a senda sombria para a eterna reeleição, ao inchar o Mundial progressivamente (princípio adotado por Infantino, o Havelange atual).

Para assegurar os votos das federações periféricas, Havelange passou a abrir espaços aos continentes até então fora do grande circuito: Ásia, África, Oceania, América do Norte e Central.

Ficou mais de vinte anos no poder, enquanto a Copa do Mundo declinava tecnicamente.

Claro, sim, sempre há o outro lado. Neste caso, houve a incorporação ao cenário mundial de centros futebolísticos até então desprezados.

Algo parecido, pode-se dizer,  com a decisão de Platini, ao elevar para vinte e quatro as vagas na Eurocopa. Afinal, com a fragmentação do bloco comunista – União Soviética, Tchecoslováquia e Iugoslávia – nasceram ou renasceram vários países, o que exigia maior abertura da principal disputa entre seleções da Europa.

O fato é que, no campo, o jogo empobreceu. E quem paga pelo preço geopolítico é o futebol.

 

2 comentários

  1. Exatamente o que eu penso, Com raras exceções os jogos desta Euro são muito fracos tecnicamente. A maioria destas seleções, se disputarem a série A do brasileiro não se classificam para a Libertadores.

  2. Há uma boa saída para Tite na continuação da Copa América saindo do sufoco do sexto lugar. Uma saída de técnica e esperanças de bom futebol. Essa saída atede pelos nomes de Robinho/Ganso e Neymar. Os treis podem dar à seleção o que ela não teve com Dunga, ou seja, rapidez, ofensividade e um toque de classe. Precisamos ver se Tite vai enxergar essa oportunidade de ouro ou vai continuar priorizando Willian, Elias e Casemiro como fez o Dunga.

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