As três cores do medo

Foto: Gazeta Press
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O São Paulo sobe o morro pisando em ovos e carregando nas costas o peso enorme do vexame diante do Audax no meio de semana.

Digo que vai pisando em ovos porque o técnico El Patón parece disposto até a sacar do único craque da equipe – Ganso -, para fechar seu meio de campo com três volantes, desde que o empate lhe cai bem.

Bem, nessa linha de pensamento, por que não mais três zagueiros, já que dois goleiros não são permitidos pelas regras do jogo?

Quer dizer, o Tricolor vai a La Paz enfrentar não só o Strongest, mas, sobretudo, seus medos – o medo da altitude, da derrota e consequente desclassificação da Libertadores, o medo de não saber se será o São Paulo do cravo ou da ferradura, essa oscilação tão comum nos últimos tempos, e, por fim, o medo de jogar bola.

O medo, sempre me disseram os mais sábios, é péssimo conselheiro, pois costuma nos conduzir a erros irreparáveis.

E um sábio da vida e da bola que sempre levo em conta é o meu velho Tusta, parceiro querido de tantas andanças pelo mundo em volta da Seleção, e gênio do futebol. Pois, Tostão, em sua coluna da Folha, trata de uma experiência própria na luta contra a altitude, que não é apenas psicológica, mas coisa real, palpável e sensível.

Foi numa ida do seu Cruzeiro eterno a La Paz, no início dos anos 70. A altitude atingiu em cheio sua cabeça, claro, como uma simples gripe provocaria verdadeira hecatombe através do meu narizinho enganador, como dizia o saudoso Mário Leônidas Casanova, mestre em jornalismo e filosofia.

Resumindo: o Cruzeiro se poupou, tocando a bola e venceu o Strongest por 2 a 1.

Sim, claro, aquele Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Piazza, Zé Carlos (já estava no time?) e cia. tocava a bola como quem bebe um copo d’água à sombra de uma macieira.

Mas, essa é a receita mais terapêutica pra enfrentar não só os males da altitude, como, sobretudo, de todos os medos.

Tocar a bola, no futebol como na vida, não faz mal a ninguém.

O único problema é saber usar esse remédio na dosagem exata, principalmente num time que só tem um jogador capaz de fazê-lo – Ganso.

Mas, claro, às vezes, o retrancão também funciona. Quem sabe?

NA LINHA DO GOL

Já havia por aí uma turminha de pá de cal na mão pronta pra selar a tumba do Barça, que vinha aos tropeços no último mês, tanto na Liga dos Campeões, de onde foi defenestrado pelo rival Atlético de Madri, quanto no Campeonato Espanhol, onde segue líder, mas já sem a folga de antes, agora acossado pelos colchoneros e merengues. A verdade, porém, é que, por exemplo, deveria ter ensacado o Valência, na última derrota por 2 a 1. Coisa de 10 a 2, segundo escrevi aqui depois daquele jogo, numa tarde milagrosa do goleiro brasileiro Diego Alves. Assim como poderia ter levado o jogo, que, na bola rolando, merecia ter vencido, diga-se, para a prorrogação diante do Atlético, pela Liga dos Campeões, caso o juiz marcasse aquele pênalti claro pouco antes do apito final. Jogo, aliás, em que ele dominou do início ao fim. Pois, bem: nesta quarta, o Barça simplesmente acertou o pé e meteu 8 a 0 no La Coruña, com quatro de Suárez. Onde a turma agora vai enfiar a pá de cal? No… no… celeiro, claro.

 

 

 

Um comentário

  1. O ganso toca bem a bola …, mas se for um jogo lento vai aparecer seu futebol, caso contrario é bom que o técnico mude o esquema e coloque outro atleta para fazer outra função ,marcar o adversário que aliais é muito fraco e usa sua maior virtude é seu estadio em cima das nuvens ,dificultando muito quem não esta devidamente preparado para enfrentar a altitude . Espero que o tricolor volte de La Paz com a classificação na bagagem e vire a pagina deste futebol inconstante e irregular que vem apresentando.Quanto ao Barça realmente foi derrotado ,mas exatamente como voce colocou ,jogo atipico que o resultado poderia tranquilamente uns 6 x 2 que estava certo devida ao volume de jogo e chances criadas e as defesas do goleiro Diego alves ,mas ontem o time já mostrou reação incrivel e sobrou para o La Corunha ,mas falta 4 rodadas e agora é quem tem determinação e futebol de sobra e isto ao Barça não falta.

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