Empate, entre bocejos

Foto: AFP
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Justamente quando o jogo do Monumental de Nuñes vivia seus momentos mais emocionantes – os dois gols, um pra cada lado e as duas defesas espetaculares de Denis – a câmera da tv flagrou um jogador argentino bocejando largamente no banco do River.

Suponho que o rapaz acabou caindo no sono mais profundo do qual só despertou no finalzinho da partida, quando River e São Paulo trocaram algumas estocadas.

De resto, foi um tédio, como tem sido habitual neste Cone Sul, onde a bola um dia rolou instigante e inventiva.

Nos primeiros dez minutos, o River atacou e criou três chances de ouro, duas conjuradas por Denis e outra pelas traves.

Mas, coube ao Tricolor abrir o placar, aos 17 minutos, quando Ganso colheu uma canhota fatal em rebote da defesa, na sequência de cobrança de falta por Carlinhos.

No entanto, a falta de organização tática e a incapacidade técnica de Centurión e Calleri para segurar a bola lá na frente e dar sequência a um mínimo de ciência no passe, permitiu ao frágil River avançar suas linhas.

Não foi por isso, porém, que os millionarios chegaram ao empate. Foi graças a uma rebatida equivocada de Denis, em cobrança de corner, que a bola se chocou com a cabeça de Tiago Mendes e voltou às redes tricolores.

Diante das imagens, fiquei aqui imaginando o saudoso José Poy, especialista em socar bolas cruzadas sobre sua área, revirando-se no túmulo e repetindo com aquele seu espanhoguês divertido: “O agarra, o la manda pra la p… que lo parió!”

Bem, deixemos o nosso Poy descansar em paz e voltemos ao jogo.

Que jogo? Ah, sim, esse aí, em que River e São Paulo embalaram o sono do reserva hermano.

Bem que Bauza tentou desfazer o malfeito, sacando Centurión, Bruno e Calleri, artilheiro nato mas que tem grandes dificuldades em conversar com a boa, colocando em seus lugares Michel Bastos, Caramelo e Kardec, outro que sofre quando tem de dialogar a bichinha. Resultado: uma pequena melhora, claro. Mas insuficiente para despertar no torcedor a convicção de que agora vai!

NA LINHA DO GOL

Marcelo Oliveira estava na marca do pênalti há um bom tempo. É o típico treinador que não passa pelo goto do torcedor brasileiro em geral, posto que sóbrio, civilizado e inteligente. A não ser quando seu time ganha todas e ainda por cima dá espetáculos como aconteceu no Coritiba e no Cruzeiro bicampeão brasileiro com folga. O torcedor brasileiro, que antigamente tinha identidade própria – cada torcida cultivava uma personalidade peculiar -, hoje está globalizado: só pensa naquilo e clama apenas por raça, raça, raça. Mas, no caso presente, há um fato irretorquível – nosso Marcelo, a quem admiro e respeito, não deu liga com o Palmeiras, em bom muricês. E sua demissão era apenas uma questão de tempo.

 

4 comentários

  1. Alberto Helena você perdeu um dos melhores jogos de PH Ganso. Dribles fantásticos, bonito gol, passes precisos e ainda por cima participação efetiva no jogo. Essa performance implica que ele está cada vez mais longe da seleção. Quanto melhor Ganso jogar e mostrar que pode ser muito útil à seleção ironicamente ele vai ficando cada vez mais longe dela. Dunga e a Globo não querem ele de forma alguma na seleção.

  2. SPFC não tem ligação da defesa para o ataque. Diferentemente do Lucas Lima no Santos, o Ganso fica no meio dos chutões da defesa do SPFC e as rebatidas dos adversários. Os volantes do SPFC só deram chutões, não fizeram um passe decentes, sequer.
    Embora tenha empatado, do ponto de vista futebolistico, o SPFC fez uma partida horrível. De bom, somente o um ponto ganho.

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