Tricolor: goleada emblemática.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Técnicos e comentaristas em geral fartam-se com essa história de equilíbrio. Para tanto, escalam os times, taticamente, com todas as variações de fórmulas que mais se parecem com a inscrição de CNPJ, como se futebol de verdade fosse pebolim.

O que conta mesmo, no entanto, é a característica de cada jogador escalado. Se o cara tem viés de atacante, não adianta dizer que é meia e assim por diante.

Por exemplo: o  São Paulo reserva que começou jogando contra o Água Santa neste sábado de carnaval, no Pacaembu, pela natureza de seus jogadores em campo, atuou num óbvio 4-2-4, sendo que esses dois do meio de campo, no passado em que o esquema vigorava, eram divididos em volante e meia-armador.

Sucede que essa figura do meia-armador, em todo elenco tricolor, se resume num só – Ganso -, que descansava no banco.

Resultado: toda criação ficou nos pés de Wesley, que não foi feito pra isso, e sim para vir de trás, como volante, marcando e distribuindo jogo ou chegando de surpresa na área, como nos seus bons tempos de Santos.

Consequência: a defesa, que já não é lá essas coisas, ficou mais exposta aos contragolpes do frágil Água Santa, que criou duas chances de ouro nessas circunstâncias, antes de Calleri, de cabeça, abrir o placar, em cruzamento de Wilder.

O gol tranquilizou o Tricolor, que passou a tocar melhor a bola, mais compacto à frente, e justificou o placar do primeiro tempo.

Mas, no segundo tempo, o Água Santa botou a bola no chão e o São Paulo na roda, até que o técnico Bauza resolvesse mexer nesse meio de campo. Primeiro, colocou Michel Bastos, meio-campista, pero no mucho. E, lá pelos 20 minutos, Ganso.

Foi como um estalar de dedos.

O São Paulo, a partir daí, ganhou consistência e lucidez no meio de campo, dominou a bola, o espírito do jogo e partiu para a goleada, com Calleri, mais uma vez (o gringo é fatal, meu!), de cabeça, em cruzamento de Caramelo, Tiago Mendes, que entrara pouco antes, pegando rebote de outro centro de Caramelo, e, por fim, Michel Bastos, em jogada de autêntico ponta-esquerda: 4 a 0.

Goleada que anima o São Paulo tanto para o Paulistinha quanto para a Libertadores, e que coloca na marca da recuperação três jogadores espezinhados pela torcida e pela mídia – Caramelo, Carlinhos e Wesley.

Muito produtivo.

NA LINHA DO GOL

Boa parte da torcida do Liverpool deu uma demonstração exemplar de cidadania, ao retirar-se do estádio justo quando o relógio marcou 77 minutos de jogo. Número cabalístico? Não, simplesmente é o número estabelecido pelos cartolas para os ingressos naquele setor, doravante: 77 libras, uma pequena fortuna para assistir a um jogo de futebol até mesmo para os ricos ingleses. E olhe que não foi um protesto das tais torcidas uniformizadas, não. Foi uma legião de torcedores comuns – homens, mulheres, crianças – que pagaram seus ingressos e se retiravam justamente quando seu time vencia o Sunderland por 2 a 0, em participação excelente do nosso Firmino, autor de um gol e de uma assistência. Pois, foi a turma debandar, e os Reds sofrerem o empate imprevisível. Os deuses da bola castigam a cobiça também.

O Bayern de Munique, segue líder absoluto. Mas, desta vez, tropeçou em Leverkusen: 0 a 0. E muito se deve a Guardiola, creia, que deixou Muller e Thiago Alcântara no banco. E só quando ambos entraram foi que o Bayern criou suas melhores chances para vencer. Pois é: até os craques, às vezes, pisam na bola.

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