Verdão: a hora de mudar.

(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)
(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Vivo enchendo a bola de Marcelo Oliveira, que reputo um dos melhores treinadores brasileiros. Não só por sua postura civilizada diante das câmeras, microfones e da vida, como, sobretudo, porque o trabalho feito no Coritiba e no Cruzeiro revelou um treinador preocupado em conferir a seus times um jogo mais compatível com a tal modernidade, que nada mais é do que jogar bola, de pé em pé, sempre em frente, como reza o figurino eterno do bom futebol.

Por isso, me sinto muito à vontade pra dizer que está perdendo a grande chance de retomar seu melhor caminho no Palmeiras, sobretudo agora, quando tem jogadores adequados para tanto.

No ano passado, ao perder jogadores chave de meio de campo, o Palmeiras passou a praticar aquele joguinho que mais se assemelha a pingue-pongue do que a futebol propriamente dito, esse jogo a que a maioria dos nossos times se rendeu nos últimos tempos: ligação direta da defesa ao ataque, muita correria e pouca lucidez.

Mas, agora, que dispõe de meio-campistas como Moisés, Jean e Régis, pode muito bem mudar o braço da viola e voltar a imprimir o estilo que lhe deu títulos, fama e prazer.

Resumindo: se Marcelo escalar, por exemplo, um meio de campo com Arouca, Moisés e Régis, tendo à frente Dudu, Erik e Gabriel Jesus ou Barrios, com Edu Dracena afiando o passe lá de trás, por certo, terá um Palmeiras muito mais à semelhança do seu Coritiba de tantos recordes e do seu Cruzeiro bicampeão brasileiro.

Como o tempo é curto pra que o Verdão entre em cena de verdade, é bom Marcelo atacar logo essa questão e resolver o problema antes que ele vire crônico.

NA LINHA DO GOL

O Peixe não resistiu ao brilho do anzol chinês e mordeu a isca: o menino Geuvânio já está fazendo as malas em direção ao El Dorado dos olhinhos puxados.  O técnico Dorival Jr. lastima, não apenas pelo desfalque de ouro de seu time, mas, sobretudo, porque previa que este seria o ano de Geuvânio. Sem dúvida: tecnicamente, perdem o Santos e o jogador, que, por seu lado, amealha a fortuna que afastará por gerações a miséria que marcou os quinhentos anos de seus antepassados. Mesmo porque a evolução natural de seu futebol, lá, será muito mais retardada do que se fosse aqui. Mas, enfim…

E o Romero, hein? Parece ter renascido das cinzas, justamente neste momento crítico da vida do Timão. É aquela velha história: sem tu, vai tu mesmo. E o tu paraguaio vai indo: meteu um outro dia e mais dois ontem no Shaktar. Corre, briga, às vezes faz umas graças, e, quem sabe, não desabrocha de vez? Futebol tem dessas coisas, meu!

Já Centurión passou a semana celebrando publicamente a chance que o técnico Bauza lhe estava dando para começar uma nova vida no Tricolor. Bola rolando, porém, bulhufas. Com Rogério na cola e a eventual chegada de Calleri, duvide-ó-dó que o argentino tenha longa vida entre os titulares.

Não podia ter sido mais fascistóide a reação do cartola Pellegrini, do Inter, diante das declarações de D’Alessandro, condenando o excesso de jogos previsto com a realização do torneio promovido pela tal Liga Sul-Minas-Rio. Traduzindo a fala do cartola: jogador tem de ficar de bico calado e jogar, que é pra isso que nós pagamos a ele. Até parece que o homem vive no século 17, quando o Brasil se dividia entre a Casa Grande e a Senzala. Parece?

Pobre Brasil, que atira pedras em uma menina de onze anos porque ela se vestia de branco, a cor do candomblé, culto que deu origem ao samba, nossa maior expressão cultural, e, por consequência, à arte de jogar bola, que nos deu tantos títulos e fama, uma das únicas respeitadas pelo resto do mundo. Pelo visto, o cinza tomou conta deste país: da poluição do ar, à alma do nosso povo.

 

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