Os reféns do atraso

Foto: AFP
Foto: AFP

Nesta época do ano, pipocam as seleções da temporada por todo lado. E o amigo que acompanhar essas escolhas, até agora (o da Mesa Redonda da Gazeta ainda não foi divulgada), perceberá que, apesar de tantas exigências da imprensa esportiva por mudanças na nossa maneira superada de praticar o futebol, as escalações partem sempre do pressuposto da cristalização dos dois volantes.

Mesmo quando, no caso da Seleção da CBF e da Espn-Placar, isso signifique sacrificar um dos dois melhores jogadores do Brasileirão: o meia Lucas Lima. Sim, porque você não poderia descartar a dupla alvinegra dos meias Jadson (maior assistente e um dos principais artilheiros do campeonato), tampouco Renato Augusto, aquele armador múltiplo que sedimentou o meio de campo do campeão.

Mas, nem Elias, nem Rafael Carioca, embora ótimos, desbancam Lucas Lima, muito mais habilidoso e decisivo e igualmente eficiente nas roubadas de bola dos dois volantes escolhidos.

Mas, como mudar essa mentalidade tão arraigada na cabecinha dos nossos técnicos e comunicadores?

A quebra desse círculo encantado não é a panaceia do nosso futebol. Não será jogando com apenas um volante que saiba sair, como gostam de repetir nossos papagaios de plantão, que mudará nosso jeito atrasado de jogar bola de uma hora pra outra.

Mas, é a base do atraso. É por onde começaria a grande mudança em direção à modernidade que eles tanto gostam de exaltar sem saber exatamente o que seja isso. O ponto de partida para que se acrescentasse ao nosso futebol um toque a mais de qualidade técnica e de habilidade, o que significaria um avanço na direção de um jogo mais ofensivo e divertido, sem perder a necessária eficiência.

Mas, tente enfiar essas coisinhas básicas na cabeça dessa turma…

NA LINHA DO GOL

Neymar pai esteve domingo no Mesa Redonda do Flavinho. E deu lá suas explicações sobre a polêmica transferência de Neymar Jr. para o Barça. Se conferem com os fatos feitos de números e documentos, a justiça se incumbirá de provar. Mas, o que mais me chamou a atenção foi quando, diante de uma observação que fiz acerca da placidez da expressão de Neymar numa jogada de alto empenho,na véspera, o entrevistado sorriu e respondeu: “Pois é. O Neymar aprendeu a separar as coisas. Ou seja: se estiver usando a perna esquerda, o resto do corpo permanece em descanso. O segredo é não desgastar o resto do corpo quando você só precisa usar apenas uma parte dele”. Coisa de gênio, acrescento, algo que jamais em tantos anos de observação, nunca havia ouvido antes.

Nesta segunda cinzenta, tava vendo Crystal Palace e Everton, e, confesso, me surpreendi com a atuação do zagueiro Stones, um menino de 21 anos de idade que joga como gente grande. Apesar de seus 1m88, é leve, veloz, com um senso de colocação de veterano, e capaz de sair para o ataque com a habilidade de um meio-campista autêntico. Sei que já foi convocado para a Seleção e esteve por aqui na Copa do Mundo. Mas, não me chamara a atenção. É de ficar de olho.

O São Paulo, apesar de tudo, chegou à Libertadores. E daí? O que o espera lá, se o desmonte do time é inevitável, com as saídas de Luís Fabiano, Pato e Rogério Ceni, e se em pleno dezembro ainda nem técnico tem? E olhe que a fase classificatória no torneio continental não será nada fácil, do jeito que andam equilibrados os times deste hemisfério. Se o amigo fizer uma análise criteriosa do elenco tricolor, verá que precisa de um zagueiro de categoria (não será o atual Lugano, tão clamado pela torcida), um volante de alto coturno e, no mínimo, dois avantes, sem falar num meia competente para dividir a tarefa de armação com Ganso, que também está sai-não-sai. Tudo isso, com o clube mergulhado em dívida atroz.  Tá feia a coisa. 

O presidente do Vasco, Eurico Miranda, assumiu a exclusiva responsabilidade pela queda de seu time pela segunda vez consecutiva para o inferno. Mas, não o culpado da tragédia. A culpa, segundo o cartola, é do ex-presidente Roberto Dinamite, dos juízes que roubaram o Vasco, da lei de responsabilidade fiscal, dos críticos (em especial os ex-jogadores hoje comentaristas, como Edmundo e Juninho Pernambucano), do diabo a quatro. É o velho Eurico de sempre, apesar da barba e dos cabelos brancos. De tudo isso, Dinamite realmente deixou-lhe uma herança maldita. Igualzinha à que ele deixou para Dinamite, anos atrás.

 

Um comentário

  1. O Chile ali pertinho que sempre foi nosso eterno freguês, mais com um técnico inteligente joga com um meio de campo, rápido, hábil cuja movimentação dispensa os tradicionais volantes à la brasileira(Quem diria). Mesmo com uma defesa fraca o técnico argentino do Chile não abdicou de um meio de campo cujas características são a velocidade, visão de jogo e habilidade dos seus componentes e conseguiu fazer um time difícil de ser batido. Não vou citar nem o Barcelona o benchmark atual de futebol moderno. Infelizmente no nosso país, historicamente símbolo do futebol ofensivo, criativo e habilidoso passou a adotar um futebol defensivista suportado equivocadamente por um meio de campo com jogadores absolutamente inadequados pela ausência de técnica, visão de jogo e habilidade. Os expertises do futebol brasileiro da Globo e outros, ainda não caíram na real de que o que suporta um time defensivamente não são volantes trombadores ou os falsos “volantes que sabem sair jogando”. O que suporta defensivamente um time é a capacidade do meio de campo ter mobilidade, rapidez, visão de jogo e habilidade em manter o time com a posse de bola preferencialmente no campo adversário. Quem acha que Fernandinho, Luiz Gustavo, Felipe Melo e vou mais longe, Elias possam fazer isso, podem tirar o cavalinho da chuva pois continuaremos a ser coadjuvantes no atual cenário mundial.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *