Ressaca e demagogia

Gostaria muito de saber o índice de ausências no trabalho nesta manhã de ressaca dupla: a dos corintianos, ainda celebrando a mágica tarde de domingo em que seu time reserva humilhou o São Paulo por 6 a 1, na festa da entrega da taça do Brasileirão, e a dos tricolores, que passaram a noite acordados, remoendo o vexame.

Como, por exemplo, o Leco, presidente do São Paulo, que veio a público pra tentar amenizar a dor de sua torcida com palavras vãs, embora sensatas.

De tudo que disse, cai apenas uma gota de previsão para o futuro incerto do Tricolor: vai apostar numa reformulação que visa mais a garra do que a técnica. É o discurso que incita as massas. Não apenas as tricolores, mas de qualquer clube brasileiro. O povo quer é raça. No caso desse clube, raça inc0orporada na figura de Lugano, um zagueiro de técnica tosca, mas tomado pelo espírito da Celeste Olímpica, aquele que não levanta uma taça mundial desde 1950.

Muito bem, se é o que querem, assim seja.

Mas, aí, fico aqui matutando sobre a escolha do novo técnico. E todos os citados até agora como os que estão na mira do São Paulo – Aguirre, Cuca, Falcão, Autuori, Levir Culpi etc. – não se enquadram no perfil de um desses animadores de time, os que  pegam no pés dos jogadores, exigindo raça, dedicação extra, sangue, suor e lágrimas.  E que ficam na beira do gramado dando pinotes, ao gosto do torcedor em geral.

Talvez, Cuca, o menos viável, tenha um pouco desse espírito. Mas, nada comparável, por exemplo, a um Felipão ou a um… Muricí.

Ora, se o projeto do atual presidente é ter um time aguerrido, o mais correto é tê-lo sob o comando de um treinador desse estilo e personalidade. De preferência, um técnico que tenha identidade com o clube. Nesse caso, então, ninguém mais indicado do que Muricí, tricolor de corpo e alma desde quando esmerilhava nos dentes-de-leite do São Paulo até a conquista, como treinador, do tri brasileiro, feito inédito desde a criação do certame.

Ah, mas o Leco não gosta do Muricí, ambos não se bicavam quando o ex-técnico evitava seu clube viver vexame ainda maior do que os 6 a 1 de domingo – a queda pra Segundona.

Então, voltamos à velha cantilena: não há projeto algum em curso no Morumbi. O presidente não revela estatura de grande líder, capaz de superar suas eventuais idiossincrasias em nome de um conceito, uma ideia, um plano racional a ser executado com eficiência na próxima temporada. É apenas uma reação epidérmica, um achismo temporário, um vai da valsa de dois compassos repetitivos.

Na verdade, do que o São Paulo precisa, antes de tudo, é elaborar um plano rígido no sentido de resgatar a moral do clube e suas finanças destroçadas pela primeira vez em sua história pela camarilha lá instalada desde a eleição de Juvenal Juvêncio até a deposição de seu herdeiro, Carlos Miguel Aidar.

Para tanto, é fundamental que revele publicamente o teor completo das tais fitas entregues ao Conselho de Ética (?) do clube pelo vice Ataíde Guerreiro, pra começo de conversa. Ao mesmo tempo, estancar os vazamentos de receitas e imprimir um regime de austeridade nas contas do clube, além, claro, de ir em busca de novas receitas que lhe permitam pagar suas dívidas no prazo mais curto possível. E, só então, pensar na reconstrução de uma equipe de futebol que tenha como base a excelência técnica de seus jogadores e, também, se viável, a raça exigida pela galera.

Só assim o São Paulo voltará a ser o modelo que já foi no passado.

O resto é aquela velha demagogia que as massas tanto adoram neste Brasil gentil e que sempre acaba em caos.

 

2 comentários

  1. Na entrevista coletiva de hoje à tarde,ao.referir-se a um pênalti não marcado contra o Corinthians no primeiro
    turno e ao infeliz lance de Ceni que redundou no empate com o Palmeiras,este senhor mostrou ao público
    esportivo e principalmente ao grande público tricolor,que não tem habilidades e tampouco está a altura para
    liderar o comando de uma entidade como o SPFC: É muita pequenice para ressuscitar um gigante.

  2. Quando lemos os comentários sobre o São Paulo, parece que nos referimos a uma clube caindo para a segunda ou terceira divisão! Mas, surpreendentemente, esse time está a dois jogos da próxima Libertadores! É assunto para tese de doutorado!

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