Tem que trocar… de mentalidade.

(Foto: Leo Correa/Mowa Press)
(Foto: Leo Correa/Mowa Press)

Os treinos que antecipam o jogo com a Venezuela indicam que Dunga estaria disposto a trocar dois jogadores do time que levou aquele sacode do Chile na quinta-feira: Oscar por Lucas Lima e Marcelo por Felipe Luís.

Oscar, realmente, está jogando muito pouco, tanto no Chelsea quanto na Seleção, enquanto Lucas Lima esmerilha no Santos e foi bem quando entrou nos amistosos anteriores à estreia nas Eliminatórias. Já a troca de Marcelo por Felipe Luís revela a preocupação do técnico em se defender melhor por aquele lado.

Pra vencer a Venezuela em Fortaleza, tá na medida.

Mas, pode mudar o time todo que a mentalidade será a mesma, regida pelo temor-pânico do contragolpe, o que nos empurra lá pra trás, oferecendo ao adversário, seja qual for hoje em dia, o controle da bola e dos espaços no meio de campo, onde as coisas da criação se resolvem e determinam quem manda em quem.

Essa tem sido nossa tragédia, o atraso a que se referem jogadores como Luiz Gustavo e David Luís, em recentes entrevistas. Ambos dizem claramente que estamos atrasados quando se trata do jogo em conjunto.

Ambos, como a imensa maioria dos jogadores convocados por Dunga, jogam há muito tempo nos principais centros futebolísticos da Europa: Alemanha, Espanha e Inglaterra, onde a escola é mais franca e divertida, embora sempre sob o signo da disciplina tática.

Anos atrás, quando voltou da Europa para encerrar sua carreira por aqui, o zagueiro Roque Jr. declarou que ficou surpreso com o fato de nossos zagueiros continuarem jogando lá atrás, o que estica o time antes de compactá-lo, separando os setores em vez de aproximá-los como manda o figurino de hoje, de ontem, de sempre, diga-se.

A propósito, leio no livro sobre Guardiola, escrito por um jornalista catalão a partir da chegada do técnico ao Bayern, que sua obsessão é exatamente a mesma de Dunga e de todos os demais treinadores brasileiros: o medo do contragolpe.

A diferença está na maneira de evitar o mortífero recurso, que os alemães, em geral, elevaram a um nível de velocidade e precisão impressionantes.

Em vez de se fechar lá atrás, esperando o desfecho da troca de bola do adversário, inverte a equação: parte pra cima do inimigo, a fim de evitar a origem do contragolpe. Avança sua defesa a cerca de 45 metros, que podem chegar, em determinadas ocasiões, até a 56 metros, da linha de sua grande área. Preenche o meio de campo com o máximo de jogadores hábeis (meias, pois, para ele, o time deve jogar só com um volante), e abafa a possibilidade do passe inicial, o lançamento que promove o contra-ataque.

É, mal comparando, como se o amigo estivesse na mira de um revólver. Se ficar paralisado de medo, leva chumbo. Se tentar se virar e correr, tá frito. A única alternativa que lhe resta é evitar o disparo, partindo pra cima da mão assassina. Claro que sempre correrá o risco de não chegar a tempo. Mas, se bem treinado nesse gesto, suas chances de êxito sempre serão maiores.

No futebol, a bala é a bola. Se o seu time tiver a bola a seus pés a maior parte do tempo, o risco de você ser atacado será sempre menor. E, se souber transformar a troca de passes num aríete, no último terço do campo, a conquista do gol será inevitável.

É tão óbvio que fico pasmo diante da nossa pasmaceira já crônica.

 

 

3 comentários

  1. E relembrar, lá pra trás no meu tempo de moleque “metido” a jogador de pelada, que no futebol brasileiro de então era assim – como você tão bem descreveu, Alberto – que os bons e melhores times brasileiros da época “costumavam” jogar…do Santos de Pelé e cia., do Botafogo de Didi, Nilton Santos, Garrincha – e depois de Gérson, Jairzinho, Paulo César Caju – do Palmeiras das legendárias “academias” dos anos 60 e 70, do São Paulo “majestoso” de Edson, Gérson e Pedro Rocha, e claro, daquela que provavelmente – e com muita discussão , concordo – foi a melhor seleção brasileira de todos os tempos …a do México 70!!!
    E olha que mais pra frente, a geração dos anos 80 também nos premiou com grandes times jogando sempre desse mesmo jeito tão brasileiro….controlando a bola, o jogo, a nossa paixão …
    Porque se alguém ou algum time se atravesse a sair desse figurino, para nós, virava futebol “de correria e pontapés “….como hoje em dia, com raras exceções é o que mais se vê nos times brasileiros….
    Quanto atraso….quanto retrocesso….quanta decadência ….l

  2. Que tal começarmos pela troca de mentalidade antes das portas dos clubes?Onde?Especificamente nas chamadas “escolinhas de futebol”,as mesmas que acabaram com o “moleque metido jogador de pelada”ao qual o Serge se referiu.Hoje tais moleques não existem mais,como também as escolas estaduais daqueles velhos tempos,que quando o professor entrava na sala de aula nos levantávamos em completo silêncio e aguardávamos autorização para sentar-nos.No hora do recreio engolíamos o lanche e íamos jogar futebol com bola de meia.Desapareceram também o futebol de rua e os “campinhos”espalhados por todos os bairros.O ex-moleque de rua de hoje exige passaporte aos 18 anos e autorização dos país para sair do Brasil antes dos 21,sonhando com salários em €uros ou dólares.Anexo a seguir um texto de um jornalista espanhol publicado em Junho de 2013,:-
    “Si hay un país en el mundo en el que el fútbol se vive de manera especial, ese es Brasil. Puede que Inglaterra sea el lugar de nacimiento del deporte rey, pero a día de hoy nadie duda que el país sudamericano es el que más intensamente lo vive. Desde que nace, un brasileño está pegado a un balón de fútbol. Quizá esa sea la razón por la cual este país se haya convertido en el gran exportador de futbolistas a nivel mundial.”
    Os destinos dos nossos jogadores já começam a se direcionar para o leste europeu e Ásia,pois já não há mais tantos craques como antes.As escolinhas de futebol acabaram com nossos moleques.

  3. Difícil acreditar em mudança de mentalidade com um professor truculento feito o Dunga, na minha opinião pro Dunga o q mais importa é o resultado e não a evolução tática e técnica, tão pouco busca o verdadeiro DNA do futebol brasileiro. O cargo de Técnico de Seleção Brasileira engloba muito mais do q ser um simples Técnico de Futebol. O correto seria buscar e colher informações das antigas seleções brasileiras como a de 1970 q todos enfatizam ser a melhor seleção de todos os tempos,ou por exemplo, a seleção de 1982 q encantou o Mundo mas q infelizmente não ganhou. Vejo q hj, ter sido Campeão do Mundo em 1994 fez um grande mal pro futebol brasileiro, desde então o q mais importa é o resultado e não o espetáculo. O título de 2002 na minha opinião coroou uma boa geração,mas q já de falência tática( lembremos q o Felipão fechou a casinha com 3 zagueiros e dois volantes, e bola pro trio ofensivo Ronaldinho Gaúcho,Rivaldo e Ronaldo). As Eliminatórias serão pesadíssimas, mas convenhamos com 4 vagas diretas mais a repescagem iremos a Copa da Rússia no empobrecido futebol brasileiro q hj só temos uma jóia rara q é o Neymar.
    Grande abraço Alberto Helena Jr

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