A teoria da conspiração alvinegra

Superintendente de futebol do Corinthians é adversário da cúpula da CBF (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)
Superintendente de futebol do Corinthians é adversário da cúpula da CBF (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

Antes de Sócrates e até mesmo de Zenon, seu antecessor, – não os craques históricos alvinegros, obviamente -, os filósofos gregos pregavam que a verdade está tão escondida dos homens que é impossível desvendá-la realmente. Isso conduz à crença, que, por sua vez, constrói mitos e tramas fantásticas no mundo das sombras.

É, guardadas as imensas proporções, o que rola no Brasileirão. Há uma crença generalizada de que fios invisíveis tecem uma rede de proteção ao Corinthians, líder do campeonato com claras chances de levar o título dada a diferença que já abriu sobre o vice-líder Galo. É a chamada Teoria da Conspiração do Apito Amigo.

A pergunta, então, é inevitável, se quisermos levantar o véu da verdade: quem manipula essa vil trama? Só pode ser a CBF, claro, que é quem escala e orienta os juízes e bandeirinhas sobre as decisões que devem tomar em campo.

Mas, como, se o homem forte do Corinthians, Andrés Sanchez, é visceralmente contrário ao presidente da CBF, Del Nero, a ponto de querer vê-lo atrás das grades? Alguém, à revelia de Del Nero, está puxando os cordéis da juizada na CBF? Pode ser, mas parece improvável, pois Del Nero pode ser o que quisermos, menos ingênuo.

Ah, sim, claro, a coisa toda pode ser engendrada fora da CBF, por alguma quadrilha, digamos, do tipo que manobrava aquele indigitado juiz Edílson qualquer coisa, envolvido com os jogos de apostas e que confessou tudo ou quase tudo e continua solto por aí.

Não entendo nada de apostas, pois se há um raro vício que não possuo é esse. Mas, o bom-senso me diz que os eventuais lucros obtidos por apostas no Corinthians campeão não compensariam tantos esforços. Afinal, o Corinthians nunca é zebra, e, sim um dos favoritos de qualquer torneio que vem disputando nos últimos anos.

Resta a última e mais prosaica das hipóteses: é o próprio Corinthians que sai por aí comprando juízes. Bem, nesse caso não se trata de conspiração, e, sim da mais antiga e arriscada de todas as práticas de suborno, sobretudo numa sociedade vigiada por mil olhos e ouvidos  como a nossa, em que a melancia na geladeira do juiz recheada de grana, como contava Olten Ayres de Abre, explodiria feito granada na cara de todos os envolvidos.

Não tenho ânimo pra ficar compilando, jogo por jogo, erros e acertos da arbitragem no Brasileirão. O fato é que o Timão tem sido beneficiado por alguns erros de arbitragem, nas últimas rodadas. Mas, pergunto: qual jogo desses tantos disputados, pelo Corinthians ou os demais, não terminou com dúvidas acerca da arbitragem?  Raríssimos. Inclusive, jogos do Corinthians.

Peguemos como exemplo apenas a última rodada, em que o Corinthians, realmente, foi beneficiado por um erro do bandeirinha no gol anulado de Cícero. Mas, a indignação que se apossou do estádio Independência, se compreensível pela expulsão exagerada de Marcos Rocha, é absolutamente injustificável em relação ao pênalti de Victor sobre Ewandro marcado pelo juiz. Foi pênalti, sob qualquer critério.

Quem me acompanha aqui sabe da minha admiração pelo futebol praticado pelo Galo. E das restrições que faço ao estilo do atual Corinthians, embora venha melhorando nesse quesito.

Mas, o fato é que o Galo, desde que sentiu o bafo do Corinthians no cangote, entrou progressivamente num processo de desequilíbrio emocional, o que se refletiu no seu jogo apressado e inconstante. Processo que se acentuou quando da virada do turno, quando o Timão assumiu a liderança do Galo.

O Corinthians, ao contrário: como se defende bem e cumpre, por isso mesmo, campanha regular, sentiu-se mais calmo e forte com a liderança.

Claro que corre o risco de trepidar na próxima esquina. E o Galo, se quiser reverter a situação, terá de ser mais Mineiro do que Atlético. Sentar na beirada do catre da velha hospedaria e ficar ali cortando o fumo, esperando a hora de nóis, ó…, como na piada contada à exaustão pelo saudoso João Sem Medo.

PS: De joelhos peço perdão pela heresia imperdoável cometida na escalação do meu Corinthians dos últimos sessenta e picos anos (os que vi em ação). Troquei um Bigode por outro, troca que desfaço, ainda que tardiamente: sai do campo dos sonhos em preto e branco meu estimado Zenon, craque sem par, e entra Rivellino, claro, um dos maiores jogadores de futebol da história mundial. O que me deu, ao omitir o querido Orelha? Privação de sentidos, só pode ter sido.

 

3 comentários

  1. Caro Helena,
    Reconhecer o erro e corrigí-lo é uma virtude inexcedível. Por isso, minhas congratulações pela sua atitude sobre o Rivellino. O Zenon, que também foi notável, certamente concordará com a sua atitude. Parabéns, mais uma vez e minha maior admiração ao seu trabalho como jornalista!
    Abraço.

  2. sou de 1976 e sendo assim vi mto menos futebol que o mestre Alberto Helena Jr… sou corinthiano e aproveito pra escalar meu time de todos os tempos (que eu vi) jogar e ressalto que além da tecnica e habilidade levei em consideração a raça…

    1 RONALDO
    2 ALESSANDRO
    3 GAMARRA
    4 JUNINHO
    6 WLADIMIR

    5 BIRO BIRO
    8 DR SOCRATES (MEU MAIOR IDOLO)
    7 MARCELINHO
    10 NETO

    11 SHEIK
    9 CASAO

  3. Depois q a cartolagem do Time mineiro arrumou a desculpa pelas derrotas. Os jogadores também se apoiaram na mesma muleta. Perde o clube , pq o sentimento ao entrar em campo eh já ta perdido mesmo p q correr ?

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