Vai, Corinthians!

timaohelenaO Corinthians está celebrando hoje 105 anos de existência. Não é mole, não, mano.

Durante esse mais de século, desfilaram craques e mitos incontáveis com a camisa alvinegra, desde Neco, Amílcar Barbuhy, Grané, o zagueiro de chute mortífero, passando por Teleco, o Rei das Viradas, Servílio, o Bailarino, Dino Pavão, Pai Jaú, Brandão, e tantos outros, até chegar no Corinthians que comecei a ver em ação na virada dos anos 40 pra 50.

Era um time de muita raça com alguns craques inexcedíveis, quase todos colhidos na várzea, mais precisamente no Maria Zélia, time da Zona Leste tão importante que tinha até campo iluminado, creia!

Dali saíram o goleiro Cabeção, os laterais Idário, o Sangue Azul, Alan e Diogo; o extraordinário volante Roberto Belangero, sempre de cabeça erguida, canhoto, distribuindo passes medidos com uma elegância sem par; Luisinho, Pequeno Polegar, meia canhoto, driblador provocador emérito, aquele que fazia a Fiel se dobrar de rir nas arquibancadas; os pontas Nelsinho e Colombo… todos sob a batuta do Gerente, o Baixinho, Cláudio Cristóvam do Pinho, ponta-meia cerebral de cruzamentos exatos para Baltazar, o Cabecinha de Ouro, ganhar fama e virar título de chorinho e letra de samba de grande sucesso na época.

É nesse período que o Corinthians, time basicamente da colônia espanhola de São Paulo concentrada no Tatuapé, com remanescentes italianos que não se bandearam para o Palestra, infla sua torcida com a chegada das levas de migrantes nordestinos que desembarcavam em legiões na Estação Roosevelt, no Largo da Concórdia, por isso mesmo denominada Estação do Norte. Todos em busca da fortuna acenada pelo boom imobiliário que transformaria a Província em Metrópole, quando São Paulo se transformou num vasto canteiro de obras e os edifícios cresciam vertiginosamente em direção aos céus.

Nessa época, o Corinthians saía de uma longa fila de dez anos de jejum no Campeonato Paulista para levantar o bi de 51/52 e o título do Quarto Centenário, em 54, prenúncio de outro período de amarga estiagem: vinte e três anos, até que surgisse o Pé de Anjo de Basílio para acabar com a agonia diante da Ponte Preta, em 77.

Foi nesses períodos de seca que a torcida alvinegra ganhou o apelido de Fiel, porque não abandonava o time apesar de tantos anos de desesperança. A mesma Fiel que nas décadas seguintes pôde ser recompensada com vários títulos paulistas, brasileiros, da Libertadores e até dois Mundiais de Clubes. E que, agora mesmo, curte a liderança do Brasileirão.

Bem, como tributo a essa história tão rica em lágrimas e risos, permita-me o amigo escalar aqui a minha Seleção-Corinthians dos que vi em ação, desde menino.

Lá vai: Gilmar; Zé Maria, Murilo (mineiro de fino trato com a bola), Gamarra e Vladimir; Roberto Belangero, Zenon, Luisinho e Marcelinho Carioca; Cláudio e Sócrates.

Por fim, em homenagem a um torcedor símbolo de todos os tempos, autor da frase que ressoa pelas ruas até hoje, o meu querido Chico Mendes, que, de charuto em riste, comandava o time das arquibancadas: Vai, Corinthians!

Veja galeria com fotos históricas do Corinthians

 

6 comentários

  1. Caro Alberto,
    Começei a ser corinthiano antes de nascer,mais precisamente em 1936,quando um garoto de dez anos chegou a SP vindo do interior e perguntou aos moleques da rua para qual time os descendentes de espanhóis torciam.A resposta foi óbvia,e o garoto,que mais tarde Deus me presentearia como pai,nunca esqueceu a escalação da equipe tricampeã do final dos anos 30,da qual lembro-me somente da linha de atacantes formada por Lopes,Servilio,Milani,Teleco e Carlinhos.Meu pai era o único brasileiro de uma familia de espanhóis que desembarcou em Santos nos anos 20.Era corinthiano dos velhos tempos quando ia ao Pacaembú
    assistir aos jogos acompanhado de seus amigos palmeirenses e tricolores.Velhos tempos,velhos tempos…..
    Gostei muito da tua seleção,e como não vi Amílcar Barbuhy jogar pois apenas ouvi histórias sobre o futebol que jogava,talvez seja
    um ausente ilustre.Provavelmente Rivelino ficará bravo de ter ficado fora.Mas o “professor” é quem manda.
    Abraço.

    1. RIvELinO da pATAdA ATÔmicA…o diVinO AdEmir da gUiA e dOm pEdrO ROChA + gErsOn cAnhOTA de OUrO e AindA mEsTrE ziziNhO DIDI da fOLhA sEcA e bECkEnbAUEr…nEm dAqUi a 5000 miL AnOs !

  2. Mais uma vez Alberto Helena nos brinda com um excelente e emocionante texto. Parabéns Helena, é um prazer enorme ler seus comentários ainda mais quando sobre o todo poderoso Timão ! Vai Corinthinas!!

  3. Caro Alberto Helena,
    Sua crônica me emocionou. Sou corintiano nascido em 1933 e, como pode avaliar, conheci grande parte dessa história maravilhosa. Sua “seleção” seria perfeita se não omitisse o Rivelino. Talvez Você o excluiu em razão daquele “fiasco” do jogo decisivo contra o Palmeiras, não sei precisar o ano. Mas eu já o perdoei (o Rivelino) desde que o ouvi, várias vezes, explicar o que aconteceu e jurar seu amor pelo clube. Parabéns, mesmo assim, pela sua crônica!!!

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