Os Tempos Modernos no futebol

helenaVejo essas mesas redondas na tv e tenho a impressão de que estou assistindo a uma reunião da junta diretiva daquela fábrica em que Carlitos ficava zureta apertando parafusos, no genial clássico Tempos Modernos.

O jogador de futebol é uma peça de titânio, desprovido de alma e todas as suas alterações, que, como é muito bem remunerado, não pode errar. Errar é humano, meu!, já dizia minha tataravó. Menos para o jogador de futebol, um ser acima de qualquer dimensão humana. Não só porque ganha muito dinheiro, mais do que a maioria de nós todos, mas, sobretudo, porque toca a paixão de cada um.

E, numa sociedade competitiva, uma sociedade de resultados como a nossa, desmemoriada e de olho sempre na extração do momento, aqui e agora, errar não é humano. É um acinte à nossa sensibilidade e às nossas expectativas. Mesmo que o erro nasça de uma tentativa de criar algo inusitado, surpreendente, às vezes, uma pequena obra-prima.

Isso pouco importa. O que vale é a raça, o empenho, sangue suor e lágrimas, mesmo que isso conduza aos erros mais desumanos e fatais.

Talvez, seja por isso que passamos a batizar os novos campos de futebol de arenas.

São os tempos modernos. Algo que nos remete para os cruéis dias do Império Romano, séculos antes do Iluminismo.

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