O palmeirense ou cruzeirense que ligasse a tv sem som nesta noite de quarta-feira, estaria torcendo pelo time errado. Sim, porque o Verdão estava de azul, feito o Cruzeiro, que estava de branco, feito o uniforme reserva do Palmeiras.
Mas, por que cargas d’água o Verdão estava de azul? Simples: o azul é a cor básica da Casa de Sabóia, a realeza italiana dos tempos em que os dois Palestras – o paulista e o mineiro – foram fundados, no início do século XX.
É a mesma razão de por que a Itália, cuja bandeira é tricolor (verde, vermelho e branca), joga com a famosa camisa azzurra.
A propósito, fiquei sabendo outro dia pela Michelle Gianella, belíssima mooquense, que a Mooca está em pé de guerra por conta da camisa azul apresentada pela diretoria do Juventus, o tradicional Moleque Travesso. Isso mesmo: o grená se vestirá de azul, alternativamente.
Os puristas berram contra, embora a camisa seja muito bonita, diga-se, e também remete às origens italianas do povo da Mooca. E, do Juventus, claro, criado pelo dono do Cotonifício Crespi, o Comendador Rodolpho Crespi, que veio lá do Piemonte para fundar uma das mais poderosas fábricas do Brasil.
Juventino (La Vecchia Signora de Turim) fanático, o comendador resolveu fundar o cover de seu time de coração na Mooca. E, quando um de seus diretores, arrumava as malas para uma viagem a Turim, encomendou-lhe a compra dos uniformes alvinegros do Juventus de lá.
O diretor viajante foi adiando a compra do material até que, na última hora, antes de embarcar de volta ao Brasil, saiu pela cidade em busca da encomenda do patrão. Como não achou, trouxe mesmo os uniformes grenás do Torino, o grande rival da Juve em Turim.
Resultado: o alvinegro Juventus da Mooca virou grená e agora quer ser também azul. Um arco-íris de sonhos e equívocos, típico da alma do velho bairro paulistano.