O rodízio de Don Osório

Técnico do São Paulo é convicto sobre a importância do rodízio (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)
Técnico é convicto sobre a importância do rodízio (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Don Osório ainda não domina bem nosso idioma, mas já incorporou a velha máxima brasileira, segundo a qual futebol é uma caixinha de surpresas. Na verdade, ele, Don Osório é que se revela uma caixinha de surpresas ao adotar o rodízio de jogadores como princípio inquebrantável para escalar seu time, jogo após jogo.

Eis por que não dá pra prever qual São Paulo enfrentará o Ceará, amanhã, pela Copa do Brasil, embora o time cearense esteja caindo pelas tabelas da Série B do Brasileirão, o que sugere isso ser irrelevante.

O rodízio, já tratei disso aqui, tem suas vantagens e desvantagens. No caso do nosso calendário, há mais desvantagens.

Sim, porque nenhum treinador brasileiro dispõe do tempo adequado entre uma partida e outra pra dar conjunto a um time que muda de jogadores a cada rodada. E o conjunto, o entrosamento, é essencial nesse esporte que os ingleses inventaram e batizaram de foot-ball association; literalmente, futebol associativo.

Por outro lado, é sempre bom manter o elenco todo alerta ao longo de uma temporada recheada de disputas tão distintas entre si. Para tanto, é preciso que os jogadores joguem, a fim de manter o ritmo de jogo e a autoconfiança.

Ao contrário dos grandes europeus, que inspiram Don Osório, nossos clubes não dispõem de elencos tão homogêneos, em termos de qualidade técnica entre titulares e reservas, que lhes permitam manter um nível aceitável quando das trocas efetuadas.

Na verdade, no caso do São Paulo, mal dá para ter um time titular num patamar de equilíbrio técnico entre seus setores. Por exemplo: a zaga, qualquer que seja sua formação, em dois ou três, não possui jogadores, tecnicamente, de alto nível.

Ganso, com as saídas de Boschillia e de Maicon, expulso pela torcida pra se tornar ídolo no Grêmio, não tem um mero reserva, um organizador de jogadas, fundamental em qualquer time que se preze.

Por fim, no ataque, só restam Pato e Luís Fabiano, já que Centurión é aquele que parece mas não é. Parece que vai fazer uma jogada genial, e acaba se embaralhando com a bola e o adversário. Nenhum reserva de fato para essas três posições. Tanto, que, no jogo contra o Goiás, não havia sequer um atacante no banco.

Mesmo assim, excetuando-se esse desastre contra o Goiás, Don Osório tem conseguido alguns resultados positivos. Não me refiro ao placar dos jogos, mas, sim, à maneira de atuar do time proposta pelo técnico : os três setores mais próximos entre si e da intermediária adversária.

Isso, sim, é moderno, como os comentaristas gostam de qualificar tudo que foge ao ramerrão do nosso futebol atrasado. E é viável. Desde que, contudo, a turma esteja entrosada, cada qual sabendo os movimentos do companheiro, essas coisas básicas. É contra isso que conspira o rodízio.

Quando (e se) Don Osório, ao fim da temporada, tiver condições de escolher novos jogadores, de acordo com seus conceitos, e tempo suficiente para adestrar devidamente o pessoal, aí, sim, poderá aplicar plenamente suas ideias.

Antes disso, corre sério risco de transformar em galhofa o que teria sido um grande avanço para o nosso futebol.

 

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