Barça, Barça, se te entendessem…

AFP
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Preste bem atenção, meu amigo. Era jogo de taça, taça dos supercampeões europeus. Isto é, o Barcelona, campeão da Liga dos Campeões, contra o Sevilha, campeão da Copa da Uefa. Na mesa, 27 milhões de euros para o vencedor. Jogo na Georgia, anos-luz da Espanha, país dos dois contendores.

Pois, dada a saída, o Sevilha marca, de falta, para Messi responder, também de falta, em dobro, logo a seguir. E aí o Barça dispara 4 a 1 só no primeiro tempo, afogando o adversário no seu campo, naquele toque-toque habitual.

Vem o segundo tempo, e o Sevilha é quem parte pra cima do Barça e reduz para 4 a 4. Na prorrogação, depois de um sufoco monumental do Barça, 5 a 4. Mas, antes de o juiz apitar o final definitivo da disputa, o Sevilha perde dois gols feitos, entre outras coisas, porque o Barça seguiu o tempo todo no ataque.

E, aí vem o idiota de plantão me dizer que futebol moderno é essa coisa que jogamos por aqui? Essa velha surrada, anacrônica, retranca, disfarçada em números de telefone dos tempos em que Graham Bell inventou o aparelhinho mágico- 4-1-4-1, 4-2-3-1 e demais variações?

Modernidade se expressa é nos pés do Barcelona, que acaba de somar seu quarto título na temporada em seguida. Modernidade que se resume no eterno conceito da vitória, construída através de passes exatos, imposição em campo, ataque, ataque, ataque, mesmo quando está vencendo por goleada, ou quando está perdendo.

Ah, mas eles têm Messi, Fulano e Sicrano, todos craques consagrados. É verdade. Mas, e o Sevilha? Tem Messi, Suarez e os cambaus? Então, por que o Sevilha tem peito pra enfrentar os grandões, e chegar a ponto de empatar um jogo que se prenunciava, no intervalo, um massacre histórico?

Simplesmente, porque tem peito, coisa que falta aos nossos raquíticos times, muitos deles com jogadores, tecnicamente, superiores aos do Sevilha, embora distantes dos catalães.

Outra imbecilidade repetida tantas vezes que virou verdade incontestável entre nós: a de que modernidade é sinônimo de velocidade. Pois, cronometre o amigo a velocidade do jogo da Barça e compare com a correria desembestada (ou seria embestada?) do nosso futebol?

O Barça joga ao ritmo do metrônomo, aquele aparelhinho que fica em cima do piano, marcando compassos. É tique-taque, tique-taque, um tempo hipnótico, que vai envolvendo e paralisando o adversário como o olhar de uma cascavel.

Faz lembrar do conselho do velho malandro: devagar também é pressa.

E, se a questão final, é o tal do par ou ímpar do resultado. Some os resultados, as conquistas do Barça, e compare com as obtidas por nossos times, e, daí, tire sua conclusão.

 

3 comentários

  1. Concordo totalmente Helena. Precisamos mudar a nossa forma de ver e entender o futebol, assim como nos atualizarmos e acompanharmos, também, esta evolução que ainda não chegou aos campos brasileiros.

  2. Alberto Helena Jr. meu caro, eu que antes te admirava, hoje admiro mais, pelo amor ao futebol total ao ataque ataque ataque!!!
    Cansei de ver essas retrancas que já fizeram meu Palmeiras campeão da Libertadores 99, Mercosul 98 e Copa do Brasil 98, porém não me agradava mais do que o Palmeiras de 96, de 93-94 que tinham no seu DNA o ataque ataque ataque!!
    Para os fãs de Tite assistam ao Sevilla jogar ou ao Barcelona mesmo que é espetáculo, mas mesmo o Sevilla não tem medo e se escondem em defesa defesa defesa, porque a melhor defesa é o ATAQUE!

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