O Majestoso! Ai, que preguiça…

Montagem sobre fotos de Fernando Dantas e Djalma Vassão/Gazeta Press
Montagem sobre fotos de Fernando Dantas e Djalma Vassão/Gazeta Press

Peço desculpas ao amigo pela ausência de dois dias. Poderia dizer aqui, para apaziguar meus amigos Júlio Deodoro e o Erik Castelhero, que fui atacado por esses demônios que vivem espreitando meu computador.

Mas, confesso. Não foi nada disso. De fato, fui vítima de um mal que me persegue desde sempre e contra o qual travo luta hercúlea: a preguiça.

Há muitos anos, estava parado no farol, quando um carro emparelhou. Lá estava, de janela aberta, o saudoso e querido Mauro Pinheiro, grande comentarista da Band, hoje nome de complexo esportivo na cidade, com seu impecável terno azul-marinho, colete, colarinho alto, gravata discreta e o indiscreto charuto entre os dedos, berrando pra mim:

– Helena, não fosse essa sua maldita preguiça e você seria o novo Armando Nogueira.

À época, Armando Nogueira era simplesmente o manda-chuva do jornalismo da Globo e o texto mais primoroso que as páginas esportivas dos jornais já acolheram até hoje.

Quem me dera, pensei com meus botões, tomado por um misto de vergonha, desesperança e um traço de vaidade.

Outra vez, foi a Geralda do Geraldo, o Fiume, uma das vertentes do samba urbano paulista (as outras: Adoniran e Paulinho Vanz0lini). Pois, a Geralda, mulata doce e companheira nas noitadas de samba, moça instruída, assistente social, de esquerda e tal e cousa e lousa, de repente incorporou suas raízes afros, e chegou, chegando:

– Você tem talento pra ser o que quiser na vida. Mas, tem um encosto aí que te dá uma preguiça danada. É um senhor baixinho,  careca, com um violão nos braços, estou vendo daqui.

A Geralda, meu amigo, acabava de descrever meu avô paterno, Emílio, que morreu na gripe espanhola vinte e tantos anos deste bicho-preguiça nascer. Dizem que o vô Emílio era um desses boêmios inveterados, divertido, cantador de ritornello romano nas cantinas do velhíssimo Brás, embora sobrevivesse como  corretor de café.

Boa desculpa. Pena que não acredito em nada disso. É sem-vergonhice mesmo. Pelo que, volto a me desculpar.

Vamos, pois, ao inevitável trabalho argh!

E o que temos pela frente? Nada menos que um Majestoso, histórico confronto entre dois eternos rivais – São Paulo e Corinthians.

O jogo é no Morumbi, o que dá uma certa vantagem ao Tricolor, embora a torcida do São Paulo, hoje em dia, se pareça mais com a Fiel inquieta de tempos passados. Quer dizer: o que ajuda pode atrapalhar.

Em contrapartida, o Timão tem sido mais sólido defensivamente, o que lhe confere equilíbrio emocional pra superar esse primeiro obstáculo. O outro é sua proverbial inoperância ofensiva, que cai todinha na conta de Love. Mas, pelo visto, Love não começa jogando. Joga Luciano, que vem de excelente performance na Seleção sub-qualquer-coisa, bronze no Pan. Quem sabe, né?

O diabo é que Renato Augusto, se entrar, estará a meio-pau, que esse negócio de ciático é de matar, meu. Sei, porque o bicho já andou me perseguindo tempos atrás. E Renato Augusto é simplesmente o cérebro e o motor do meio de campo alvinegro.

Já o São Paulo, por força de contrato, não terá Pato, seu mais eficiente atacante. No seu lugar, entra Luís Fabiano, que não anda respondendo à altura nesta temporada. Mas, talvez, pelo longo período de preparação a que esteve submetido, possa voltar a ter uns relances do Fabuloso que ainda sobrevive na memória tricolor.

Imagino um jogo em que o São Paulo ataca e o Corinthians contra-ataca. Muitos erros de passe, sangue, suor e lágrimas na disputa pela bola, poucas chances criadas de lado a lado e, se der, uma goleada por 1 a 0 pra qualquer um dos dois.

Ai, que preguiça…

 

 

4 comentários

  1. È uma pena que pato não jogue, pois esse time do Corinthias é só defesa, um esquema bem armado pelo Tite grande treinador, e só contra atraque, se eu fosse o São Paulo, me retrancava também esperaria eles saírem da defesa.

  2. Também acho você um bom comentarista, já lia sua coluna no Jornal da Tarde na década de 60, só não entra nesta onda de meter o pau em tudo que é jogo do futebol brasileiro e elogiar qualquer joguinho dos europeus. Sabemos que para alguns só presta o campeonato transmitido pelo seu canal o resto é lixo.

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