
Tite aproveitou o amistoso em Natal, em celebração ao centenário do ABC, pra fazer várias experiências com jogadores da base. Alguns, já circularam entre os profissionais; outros, ainda não, até aquele momento.
A tradução desse gesto foi imediata: a crise financeira vivida pelo Corinthians impõe iniciativas como essa. Afinal, pra que existem as tais categorias de base, onde os clubes afundam verdadeiras fortunas pra colher um tostão aqui, outro ali?
Esse é um caminho inexorável dos nossos clubes, todos eles mergulhados em dívidas, algumas impagáveis. Pelo menos, enquanto perdurarem a sandice e a safadeza no futebol brasileiro. Montar times com jovens promessas, pontilhados deste ou daquele mais experiente, que é pra reduzir drasticamente as insanas folhas de pagamento até que os clubes tenham o devido equilíbrio orçamentário, passou a ser uma exigência.
Aliás, isso deveria ser fruto de um pacto entre todos os clubes, sobretudo os grandes, se eles pudessem se reunir numa Liga saudável e bem intencionada, voltada para melhorar sua situação financeira e o nível do espetáculo, que segue baixo por aqui.
Não se trata de esperar que das categorias de base brote a cada semana um Neymar, longe disso. Mas, basta o amigo girar os olhos sobre os nossos times atuais e verá facilmente que muitos jogadores super valorizados, brasileiros e estrangeiros, que aí estão não têm nível técnico muito além dos meninos que estão prestes a sair dos cueiros.
O Corinthians, a exemplo de Santos, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Atlético, Inter e tantos outros, tem longa tradição na formação de jovens valores.
Sou do tempo que viu nascer aquele Corinthians dos ataque dos Cem Gols, que levou do Maria Zélia, o primeiro time de várzea de São Paulo a ter iluminação em seu campo, uma legião de garotos que acabariam por tirar a equipe de dez anos de fila, em 1951: Cabeção, Idário, Alã, Diogo, Roberto Belangero, Luisinho, o Pequeno Polegar, Nelsinho, Colombo, sei lá quem mais.
De lá pra cá, uma infinidade de craques foi revelada no velho Terrão, dentre eles, ninguém menos do que Rivellino.
Ah, mas os tempos são outros, dirá o amigo dos clichês. Claro que são outros. Muito mais sombrios, diria, pois nunca tantos clubes brasileiros estiveram em tamanha penúria, gastando os tubos e assumindo dívidas que não podem pagar e não pagam, no fim das contas. E nunca tiveram tanta receita.
Situação criada por dois fatores simultâneos: incapacidade administrativa e interesses nebulosos na compra e venda de jogadores por parte dos cartolas, em conluio com os empresários que se assenhorearam desse espaço largado pelos clubes.
O amigo dirá que a culpa disso é a Lei Pelé. Não é, não. A culpa é da cartolagem que não entendeu o alcance da lei e deixou de se preparar para adaptar-se a ela no devido tempo, do que se aproveitaram os empresários e tomaram conta da praia.
E não foi por falta de aviso. Basta o amigo fuçar nos arquivos dos jornais e da Internet que encontrará dezenas de artigos deste que lhe fala a respeito dessa questão, mais de década antes do advento da Lei Pelé.
A propósito, a Fifa, neste afã de escapar das grades, estuda baixar norma exigindo a declaração pública dos bens e das contas bancárias de seus dirigentes, com acompanhamento permanente por parte de auditoria independente.
Assim, ficaríamos sabendo se entrou ou não aquele dinheirinho extra, vindo de onde, quando e depositado por quem.
Seria medida salutar se aplicada aqui, estendendo-a não só aos cartolas da CBF e federações estaduais, mas, também, aos dirigentes dos clubes.
Sabe quando isso passaria? Pois é.
Os dirigentes dos clubes mostraram a enorme capacidade de chegarem juntos ao que chamamos de sinuca de bico.
Parece fácil mas não é. Precisa ser muito(in)hábil. Como a esperança é inerente ao nosso DNA, talvez tenhamos
encontrado um atalho para sair deste embróglio. É a velha história de que se aprende a nadar quando a água bate na bunda.
Precisamos apoiar a garotada das divisões de base e esperar que dentro de alguns anos,quem sabe,tenhamos
de volta o legítimo e puro moleque verde e amarelo nos gramados.
Sou um corintiano apaixonado. Acompanho o ¨Timão desde 1968 (época da quebra do tabu de dez
anos, contra o Santos de Pelé) (época de glória de Rivellino e infelizmente da perda de Eduardo e Lidu – talvez com os quais quebraríamos também a fila de longos anos sem ganhar o Paulista, que só ocorreu nove anos depois, com o memorável ´Pé de Anjo Basílio. Concordo em gênero e grau com o Alberto Helena, pois o SCCP é exemplo desse descontrole financeiro, mas agora parece, devido a situação, vai ser obrigado a olhar com mais carinho para esses garotos. Que assim seja !
A Lei Pelé é culpada sim.
Não adianta a imprensa defender seus amigos empresários.
É eviente que se eles ganham suas fortunas, fazendo negócios, disso eles não iriam de deixar de tirar proveito.
Nisso, estão os empresários e os cartolos, juntos.
Foi dada essa brecha, pela lei pelé, os negociantes, iriam perder a oportunidade?
Como admirador do futebol e torcedor, quando surgiu a lei Pélé, eu já fazia esse tipo de comentários com os meus amigos, prevendo que isso iria acontecer.
Afinal, vivemos num mundo de aproveitadores.