Torcendo por Tite Andrade

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Há quem interprete minhas observações sobre Tite e a maneira de jogar do seu Corinthians como reprovações a ambos.

Tenho por Tite estima pessoal e profundo respeito pelo seu trabalho, honesto e competente.

Acho mesmo que, por méritos, deveria ter sido o escolhido para ser o comandante da Seleção Brasileira em lugar de Dunga, que, nesse ofício, não traçou uma vírgula do vasto e vitorioso currículo de Tite.

Aliás, me insurgi contra a diretoria alvinegra da época, quando de sua primeira demissão, lá nos tempos daquele nebuloso iraniano. Assim como, da segunda vez, mesmo tendo igual apreço por Mano Menezes.

Da mesma forma que elogiei muito aquele Corinthians competitivo e de jogo agradável de se ver que se sagrou campeão da Libertadores e do mundo.

Portanto, nada contra Tite, muito menos contra o Corinthians.

Aliás, é visualizando um Corinthians sempre melhor que faço aqui minhas ponderações sobre a maneira de atuar desse time, neste exato momento, quando mais o Timão soma pontos sobre pontos, atingindo o topo da tabela.

E é isso que o torcedor mais fanático não consegue entender. O mundo, para ele, gira em torno de seu time do coração. Ou o sujeito é a favor ou é contra. É preto ou branco. A fusão dessas duas cores básicas, o cinza, por onde caminha o cronista tentando dar-lhe cores mais vivas e atraentes, não existe.

Meu compromisso é com o futebol como espetáculo, diversão, com toques culturais que distingam as respectivas tribos, suas crenças, hábitos e linguagens. Nesse sentido, é meu dever, como alguém que possui um espaço público para se expressar, é exigir sempre o máximo de excelência de qualquer time ou seleção. Por isso, deploro quando prevalece como único valor de uma contenda o seu resultado. Se assim for, estaremos reduzindo o futebol a uma disputa de par ou ímpar.

O resultado é consequência, não o princípio.

O que dá graça e amplitude ao futebol é toda a intrincada e sedutora trama que vai desde a mesa do cartola até o placar final, passando pelos treinamentos da equipe, a estratégia adotada pelo treinador e sua percepção para substituir este ou aquele, a técnica individual dos jogadores, a precisão de movimentos do conjunto, a ação do juiz, a qualidade do gramado, a participação do público e o acaso sempre presente nas ações do ser humano. Entenda-se o acaso como a soma de fatores desconhecidos, o que não quer dizer necessariamente que seja uma intervenção divina ou sobrenatural. Simplesmente, nossa vã filosofia ainda não é capaz de detectar esses fatores.

No caso do Corinthians, claro que, no atual processo de reestruturação da equipe, o bom senso sugere que Tite dê uma atenção especial ao sistema defensivo como um todo. Como ensinava o saudoso Vicente Feola, um time de futebol deve ser arrumado feito uma casa. Começase pela cozinha, depois a sala de visita.

A cozinha de um time de futebol é sua defesa; o ataque, a sala de visitas, para onde são levados os convidados (na metáfora, o público pagante).

Falando nisso, é sempre bom lembrar o que disse tempos atrás o próprio Tite, a respeito da escola gaúcha da qual ele é dileto aluno.

– Há duas vertentes no estilo gaúcho. Uma que segue a linha do capitão Froner, mais defensiva; outra, que acompanha os ensinamentos de Ênio Andrade, mais ofensiva. Eu sigo o professor Ênio.

Portanto, mais do que este velho palpiteiro, o próprio Tite sabe o caminho que deve percorrer em busca da excelência do jogo de seu time.

Para tanto, haverá de contar com meu entusiasmado incentivo. E a maneira de fazê-lo é ficar aqui lembrando-lhe do destino que ele próprio traçou para si mesmo.

Pra frente, Tite Andrade!

 

 

5 comentários

  1. Alberto,

    Fazer elogios aos seus comentários, é chover no molhado, ou cair na mesmice como se diz neste pais. Perfeita a sua visão do Tite, concordo contigo em sua totalidade.
    Idoneidade e responsabilidade por escrever é o que conta…. Parabéns.

  2. Prezado Alberto Helena,

    Esse é o Sampaulino que todo Corinthiano respeita e estima …
    Vale muitas pizzas.. do Bexiga e muito Vino … que seja mesmo
    nas Cantinas da Treze de Maio … Salute, Helena Jr. !!!

  3. Não concordo com o seu ponto de vista.
    O esquema é ótimo, apenas faltam melhores jogadores no ataque, para ser o corinthians a melhor equipe do país.
    Falar do esquema, querer ver o time jogar no ataque, é querer ver o corinthinas perder.
    Aliás, essa é uma reclamação dos cronistas antigo, onde em épocas passadas, todos os times jogavam num 4-3-3, hoje isso mudou no mundo inteiro, e os cronicas do passado insiste que as equipes joguem nesse esquema.
    Principalmente o corinthians, querem que jogue bonito, mas o que querem mesmo é ver o corinthinas peder.

  4. Falar sobre o seu comentário não é necessário, pois ele é feito de forma inteligente e com argumentos convincentes, porém, me permita discordar, pois, o elenco do Corinthians apesar de inchado é bastante limitado, e aí entra o trabalho maravilhoso que o Tite está realizando.

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