Pato e o conjunto da obra

Rubens Chiri/SPFC
Rubens Chiri/SPFC

Estão fazendo um estardalhaço sobre as declarações de Don Osório que comparou Pato a Robben, Ribéry e Di Maria, mesmo porque não há a menor similaridade entre eles, tanto no estilo de jogo quanto no nível de habilidade.

Robben é um portento, canhoto, exímio driblador, armador e finalizador, o cara que carrega a Holanda nas costas e dá brilho ao Bayern, partindo da direita.  Ribéry, que há tempos curte recuperação de séria lesão, destro, é igualmente emérito driblador, veloz e incisivo, pela esquerda. E Di Maria é um canhoto essencialmente armador pelo meio que, às vezes, atua pela direita, por isso, inclusive, leva a camisa 7, em geral, às costas.

Já Pato é um atacante móvel, que tanto pode cair pelos lados quanto avançar pelo meio, onde, aliás, tira maior proveito de sua capacidade de finalização. Mas, nem de longe tem a habilidade, o poder de drible dos demais citados.

Aliás, se fosse Don Osório, olharia o futebol de Pato com uma lupa. Descobriria, então, que o rapaz carece exatamente de treinos específicos para afiar dois fundamentos indispensáveis para quem costuma carregar a bola ou partir em velocidade a fim de receber o passe longo: domínio de bola e a capacidade de, quando tentar o rush, mantê-la colada ao s pés. É muito comum vê-lo ensaiar arrancada entre dois beques e deixar a bola escapar de seus pés com um toque mais forte.

Detalhes que às vezes fazem uma grande diferença no geral.

Suponho que a comparação feita por Don Osório se resuma a um fator comum entre eles: a facilidade em jogar pelas extremas com o pé trocado – destro, na esquerda; canhoto, na direita. Mas, isso é mais velho do que andar a pé. Basta lembrar Paulo César Caju, Zé Sérgio e tantos outros destros que atuavam pela esquerda, assim como Dirceuzinho,  Mário Sérgio etc., canhotos que se davam bem pela direita.

O fato é que, com a formação do primeiro tempo contra o Vasco, o Tricolor fica mais leve, técnico e dinâmico, o que coloca em jogo o futebol de Ganso, que passa a ter alternativas de passe, seu principal trunfo.

É nisso que Don Osório deveria se deter, acima da aplicação do rodízio tantas vezes anunciado.

Mesmo porque, neste calendário estúpido do futebol brasileiro, não há tempo suficiente para treinamentos adequados capaz de deixar o elenco todo em ponto de bala, com várias opções táticas e tal e cousa e lousa e maripousa. O treino acaba sendo mesmo o jogo. E, para manter um nível aceitável de jogo em conjunto na competição, o melhor é manter a mesma formação por quanto tempo puder.

Do jeitinho que disse Marcelo Oliveira depois da vitória do Palmeiras: o negócio é manter, sempre que possível, o mesmo time, fazendo as substituições de acordo com o andamento da partida com o objetivo de melhorar a performance da equipe e todos os demais integrantes do elenco em atividade.

Essa é a receita no que sobra do nosso futebol; o resto é experiência que pode ou não dar certo.

 

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