
Foi-se o meu querido Zito, com quem tinha, de tempos em tempos, longos e deliciosos papos sobre futebol e aquele Santos, o maior time de todos os tempos.
Time que começou a ser forjado em torno daquele menino de Roseira, vindo do Taubaté para a Vila, em 1952, um líder pela própria natureza. E um jogador de múltiplas funções, que nossos comentaristas jovens chamariam hoje de volante moderno.
Zito era bem mais do que um simples volante que sabe sair jogando, como se diz por aí. Começou como meia ponta de lança, recuou para meia-armador e acabou se transformando num dos maiores volantes da nossa história. Mas, se precisasse, Zito ia pra lateral direita, pra lateral esquerda e até quebrava um galho como quarto zagueiro.
Aliás, nessa época, era muito comum esse procedimento, que nestes tempos tão mecanizados surpreende e é aplaudido como uma grande novidade. Pois, o normal era um meia virar volante e um médio volante se transformar em zagueiro, o que elevava o nível técnico da defesa e do meio de campo, produzindo maior fluência no passe desde lá detrás.
Assim, Zito tinha a técnica e a habilidade de um meia, às quais acrescentava o fogo das arrancadas incontroláveis ao ataque e uma disposição incrível para retomar a bola dos adversários, quando mais recuado, próximo dos beques. Além disso tudo, marcava seus gols, sim, senhor. E, certamente o mais antológico, aquele contra a Tchecoslováquia, na decisão da Copa de 62, no Chile: começou a jogada lá atrás, abriu para a esquerda de onde veio o cruzamento que ele colheu de cabeça quase tocando o travessão, apesar de sua baixa estatura.
Naquele dia, sagrava-se bicampeão mundial pelo Brasil, feito que repetiria com o Santos no ano seguinte, quando o Peixe ainda dava bola para a Libertadores e, consequentemente, o Mundial de Clubes.
Mas, é bom lembrar que isso não caiu do céu para Zito, não. Teve de cavar com a autoridade de seu jogo um lugar na Seleção de 58, quando começou na reserva de Dino Sani, tecnicamente perfeito, porém, sem a mobilidade e versatilidade do Chulé, como era chamado pelos companheiros da Vila. Dino machucou-se e Zito entrou no terceiro jogo da Suécia, contra a União Soviética, juntamente com ninguém menos do que Garrincha e Pelé, que ele chamava de Gasolina, pela semelhança com um sambista da época.
A partir daí, Zito tomou conta da posição durante oito anos e só foi perdê-la na Copa de 66, quando as pernas já não o ajudavam a correr pelo campo todo.
No Santos, Zito formou naquele esquadrão bicampeão paulista de 55/56, uma proeza num tempo em que não havia campeonato brasileiro, apenas o Rio-São Paulo.: Manga, Hélvio e Ivã; Ramiro, Formiga e Zito; Tite, Negri, Álvaro (Pagão ou Del Vecchio), Vasconcelos e Pepe. Um timaço, que prenunciava os inigualáveis sucessores com Pelé e cia.
Depois de pendurar as chuteiras, Zito atuou como dirigente e descobridor de talentos na Vila, entre outros, Robinho e Neymar.
No campo, exalava raça e liderança por todos os poros. Fora dele, um tipo cordato, inteligente e bom de papo, um repositório de deliciosas histórias do futebol que ele elevou ao seu nível mais alto, belo e digno.
Velhos tempos nos quais o volante era um jogador de muita mobilidade,raçudo,errava
poucos passes e fazia gols.Nossa história está repleta e entre eles o eterno capitão
José Ely de Miranda.Foi substituído no Santos e na seleção pelo também brilhante
Clodoaldo,e à partir daí a fonte começou a secar,e talvez os últimos de destaque em
degráus mais abaixo foram Batista,Toninho Cerezo e Mauro Silva.
Hoje o jogador que veste a 5 está mais próximo de ser um gladiador espartano do que um
jogador de futebol.