As várias farinhas do mesmo saco

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A turma tem a mania de enfiar tudo no mesmo caso, quando se refere ao futebol europeu: na Europa, é assim, é assado…

Que futebol europeu, meu camaradinha? Na Europa, como na América do Sul, há uma grande variedade de estilos e hábitos, que costumamos chamar de escolas. Portanto, quando se quer fazer alguma referência ao futebol que se pratica no Velho Continente, é preciso especificar de quem se está falando. Ou, por exemplo, o catenaccio italiano tem alguma remota similaridade com o tique-taque catalão? E assim vai.

Não dá sequer para comparar o futebol que se pratica nos campeonatos nacionais com as seleções dos respectivos países. O campeonato inglês pouco tem a ver com a Seleção Inglesa, por exemplo.. Coisas da globalização.

Até no mesmo país há identidades distintas. Pegue-se o caso de Real e Barça. São os opostos em tudo, a não ser na excelência de seus jogadores.

O Barça curte promover seus jogadores de base e manter seus técnicos por longos períodos, desde que eles sejam capazes de manter o mesmo estilo de jogo que é treinado pelos meninos pelos marmanjos. Raramente, faz grandes investimentos em jogadores de nomeada, como no caso Neymar, uma exceção.

Já o Real, ao contrário: gasta os tubos em celebridades, e troca de treinadores como o amigo troca de camisa de um dia pro outro. E não basta o sujeito, em três anos, ser campeão da Liga dos Campeões, do Mundo, seja lá o que for, como o italiano Carlos Ancelotti, que acaba de ser dispensado do Santiago Bernabéu.

Ora, Ancelotti, quando dispunha de todos os seus titulares, fez um primeiro turno do espanhol magnífico. No segundo, quando perdeu por um longo tempo Modric e James Rodriguez, que, ao lado de Kroos, formavam um meio de campo de se tirar o chapéu, declinou o suficiente para ser ultrapassado por um Barça que ganhou asas com a formação do MSN – o ataque de Messi, Suárez e Neymar, um desses achados únicos no futebol.

Mesmo assim, o Real terminou o campeonato em segundo lugar a dois pontos do campeão.

Na Liga dos Campeões, caiu diante da Juventus nas semifinais, uma Juventus, diga-se, em estado de graça.

Isso é motivo pra demitir o cara?

Mas, enfim, no futebol, como na vida, os homens se caracterizam mais pelas diferenças do que pelas semelhanças, embora sejamos todos farinha do mesmo saco.

2 comentários

  1. Alberto Helena,

    Desta vez, vou ter que discordar contigo. O Barça, ao igual que o Real Madrid destitiu treinadores com a mesma “facilidade”. O Guardiola foi a unica exceção para o Barça assim como Del Bosque para o Real Madrid. Se revisar a passagem dos outros treinadores desde o começo deste século verá que tenho razão neste ponto.

    Como você bem disse, o Real jogou muito bem na primeira parte da temporada, mas não soube dosificar jogadores e no total tiveram 18 lesões! Portanto, é natural a queda de rendimento e as consecutivas derrotas para os principais adversários Liga, Copa e Champions. Mas mesmo concordo contigo em que o italiano tem crédito para estar mais tempo no Real Madrid.

    Sobre a contratação de grandes jogadores o Barcelona segue o caminho do Real Madrid. Quero recordar as contratações de Ibrahimovic, Suarez, Neymar são das mais caras da história. Outros como Villa, Dani Alves, Fabregas, Alexis e até Chygrynskiy(!) foram contratações altas, superiores a 30 milhões de euros.

    Como pode perceber, Real Madrid e Barcelona não são tão opostos como parece. Por sinal, o Barça tem mudado na linha do Real Madrid, desde na sua forma de gestão e marketing como na forma de jogar, muito mais ofensivo e perigoso no contraataque como é visto o Real Madrid. Algo bem distante daquele tiqui-taca de uns anos atrás.

    Infelizmente, a imprensa brasileira gosta de se prender a uma imagem do Barcelona de um estilo marcado por alguns anos de exito mas que não corresponde ao resto de sua história.

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