
Veio-me à mente o titulo de velha canzonetta napolitana – Anema e Cuore (Alma e Coração), a receita utilizada pela Vecchia Signora da fria e nobre Turim para cavar um lugar na final da Liga dos Campeões, que lhe era negada até a véspera por todos os vaticínios, apesar de ter vencido o jogo de ida por 2 a 1.
Pois a Juve derramou pelo gramado madrilenho toda a sua alma e fez seu coração pulsar como nunca para resistir à pressão do Real, time mais categorizado tecnicamente, e também disposto a virar o jogo até as entranhas, do início ao fim de um jogo lancinante.
Sim, porque mesmo abrindo o placar aos 22 minutos do primeiro tempo, em pênalti mandrake sobre James Rodriguez e convertido por Cristiano Ronaldo, o Real fustigou a defesa adversária o tempo todo, embora as outras duas oportunidades mais claras de marcar estiveram nos pés de Marchisio, em defesa providencial de Casillas, e de Pogba, idem com batatas, já no segundo tempo.
Mas, se o negócio é se defender, ninguém sabe fazê-lo melhor do que os italianos em geral, embora essa Juventus atual, sob o comando de Allegri, não seja exatamente um exemplo bem acabado do tal catenaccio. Nada disso. Sabe jogar com aquele meio de campo refinado formado por Pirlo, Vidal, Pogba e Marchisio, com Tevez (hoje, discretíssimo) a eles se juntando em alto nível.
E assim, quando maior era o assédio merengue, a defesa juventina soube resistir, sobretudo porque o adversário, já beirando o desespero, insistiu demais em bolas alçadas à área, mamão com açúcar para os italianos. Merengue, mamão com açúcar, essa frase ficou um tanto enjoativa. Ao contrário do jogo, que foi apimentado de cabo a rabo.
Uma autêntica decisão europeia, como, aliás, havia sido o jogo da véspera entre Bayern e Barça.
Agora, é Juve e Barça, num jogo só, em Berlim: alma e coração contra cérebro e inspiração. É de se ver.