Que milagre é esse?

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

Que milagre é esse? Quer dizer, então, que Milton Cruz, o obscuro, saiu das sombras com sua varinha de condão e tocou a alma tricolor transformando-a de cordeirinho manso em feroz leão?

Nada disso, meu.

Mas, que a substituição de Muricy por Milton Cruz está funcionando, isso é inegável. E o mais curioso é que Muricy, sim, tinha o perfil de um animador de almas, enquanto Milton Cruz é quase uma introspecção, nenhum traço do condutor destemido que leva sua tropa à beira do abismo em busca de redenção.  Está mais para quem aplaca ânimos do que os estimula.

Desconfio, porém, que exatamente essas diferenças é que fizeram a diferença.

Isto é: um líder vitorioso, fogoso, como Muricy quando começa a dar sinais de fragilidade, seja por perda de poder político, seja por males físicos, a tendência é seus comandados se sentirem sem anteparo, e, como consequência, sem rumo e autoconfiança. Num jogo coletivo e tão cheio de esquinas como o futebol, tudo pode desandar de uma hora pra outra, como aconteceu com o Tricolor vice-campeão brasileiro que entrou no novo ano com dois pés esquerdos.

A simples troca desse comandante fragilizado por alguém sem traços marcantes de liderança como Milton Cruz, acabou transferindo para os jogadores a própria liderança. E, pelo visto, cada um deles assumiu essa postura, a partir daquela partida formidável diante do Corinthians. Diria que é quase uma autogestão, um sistema que beira a utopia, mas que funciona vez por outra.

Claro que Milton Cruz, pelos anos todos que curte dentro e na beirada do campo, deu um certo formato a uma equipe desagregada até então. E anda escalando e fazendo substituições de acordo com as necessidades. Mas, nada fora do comum, apenas guiado pela sensatez do momento.

Por exemplo: a entrada de Bruno na lateral-direita contra o Cruzeiro. Talvez, se Hudson não estivesse suspenso, Milton recorresse a essa improvisação que virou um hábito no São Paulo – apesar de contratar dezenas de especialistas no setor, está sempre improvisando um zagueiro ou um volante por ali. A troco de quê?

Bruno provou no Flu que é um lateral capaz de cumprir devidamente os dois requisitos básicos da função – defender e atacar. Aliás, ataca como poucos, em velocidade, com certa habilidade para vencer os marcadores e cruzamentos mais exatos do que a maioria de seus pares. Vai oscilar? Claro que vai. Todos oscilam de um jogo pra outro. Nenhum deles é Carlos Alberto, Djalma Santos, Leandro ou Cafu. Mas, dá mais conta do recado do que todas as improvisações ditadas pelo gosto ou planos específicos do treinador.

Jogando sem tantos medos defensivos, com uma marcação mais avançada e com atacantes móveis, como Pato e Centurión, em vez dos lentos Luís Fabiano e Alan Kardec, que permitem a Ganso ter opções para seus passes magistrais, o time ganha em velocidade e agressividade.

Na verdade, não há milagres nos campos de futebol como na vida. O que há é a obra do ser humano, essa maquininha complexa e cheia de surpresas, tão inescrutável como um milagre.

 

2 comentários

  1. Vocês comentaristas são imediatista na hora de avaliar equipes de futebol, basta uma vitória e o time é o melhor. Este time do SPFC vai tomar um varejo do Cruzeiro e voltar para se devido lugar.

  2. Caro Alberto e amigos da nacao sampaulina. Alberto voce sempre acha allguns aspectos originais como esses do blog. Estou de acordo com suas observacoes. Nao duvidas que o Muricy nao estava bem, sem aquele pique de quando tirou o tricolor do caminho da B. Foi
    no muque. O desastre do jogo contra o Corinthians quando jogamos com 2 meias (meia e~atacante, jogador que nao marca) justo contra uma defesa que marca como poucas e contraataca muito bem seguiu-se o azar e imcompetencia tambem no segundo jogo pois aquele penaltti perdido foi uma pancada que desmontou todo o time e tecnico. Disse incompetencia porque o Rogerio nao e~batedor de penalty de lprimeira. Ele ja perdeu varios e se deixarem vai continuar plerdendo. Ja joguei muito (inclusive nos sub 18 do sampa em …no tempo do Feola e enxergo tudo:- e deu azar tambem. Mas quem tem coragem de tiraar isso do Rogerio: – um dos melhores nas faltas mas de 3a categoria nos penais.. Ai contra o Palmeiras outra vez o Ceni deu uma saida de bola errada e tomamos um gol no comeco. Aqui faltou comando, lideranca. Como o Didi fez em 58, quando a Suecia na final abriu a contagem, foi la pegou a bola e foi pro meio do campo mostrando muita tranqulidade que passou a todo o time. Bem, a prova disso e que o Toloi perdeu a cabeca e foi expulso. Mas voltando ao Milton Cruz ele realmente provocou (como disse o Alberto) uma subida na auto-estima de todo mundo. E mais, deu uma mexida tatica que ninguem esta falando- substituiu um meia por um volante e deu estabilidade a defesa. A gente era campeao de cartoes amarelos, justamente porque havia a AVENIDA S PAULO
    por onde passeavam os nossos inimigos. Essa mudanca que parece pequena foi a grande alavanca da subida do time. Podemos ate nao nos classificar para as quartas mas que o time esta outra coisa, esta mesmo. Eu pessoalmente acredito que vamos passar pelo Cruzeiro mas depois ja nao sinto tanta confianca. Em todo o caso estao entrando novos jogadores, principalmente o Centurion, mas tambem o Bruno, o Ganso jogando muito de modo que esse mesmo time pode ir mais longe do que a gente ache hoje. Isso falando frianmente, sem aquela de torcedor fanatico que nao pensa. Bem um abraco a todos os amigos sampaulinos e boa sorte.

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