Arqueologia de intenções ocultas

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

Fascina-me e me diverte esse exercício de arqueologia das intenções ocultas e do time de coração do cronista praticado por alguns leitores. O bicho pega uma frase aqui, uma palavra ali, outra, mais adiante, e junta tudo para construir um conceito que não está, nem de longe, expresso no texto. Foi o que fez o amigo Stein, uma pedra no meu mocassim, trocadilhando com suas intenções claras.

Sou tentado a recorrer à surrada resposta de Sig a seu discípulo e futuro desafeto, Jung, ao acender um charuto, esse freudiano símbolo fálico: “Às vezes, meu caro, um charuto é apenas um charuto”. Mas, não o farei, já tendo feito.

Na verdade, o que quero dizer a respeito é que, desde o início do ano, venho exaltando, com a devida cautela exigida pelas circunstâncias, os avanços do Palmeiras, nesse doloroso processo de reconstrução de sua eterna grandeza.

Condenei os palestrinos afoitos que apedrejaram o técnico Oswaldo de Oliveira no início de sua gestão, pelo simples fato de ele ser um cara inteligente, articulado e sereno demais para essa plateia refém dos tais professores performáticos, que ficam ali à beira do campo fazendo gestos pirotécnicos e gritando palavras de ordem que não ultrapassam a linha lateral.

E aplaudi as chegadas de Zé Roberto, Dudu, Arouca, Gabriel, Robinho, Rafael Marques, Lucas e, sobretudo, a de Cleiton Xavier, que ao lado de Valdívia, haverá de formar uma dupla de armação de causar inveja a todos os demais clubes brasileiros, não tenho a menor dúvida. Ainda mais se Oswaldo optar, com o aproveitamento de Egídio na lateral-esquerda, por uma formação de meio assim, ó: Arouca, Zé Roberto, Valdívia e Cleiton Xavier apoiando a dupla de ataque com Dudu e Rafael Marques.

Portanto, palestrino amigo, poucos na mídia, assim como na animada torcida verde, têm confiado e aplaudido tanto esse processo de avanço do Verdão.

Mas, atenção!, trata-se de um processo, não um produto pronto e acabado. E, como tal, sujeito a oscilações naturais.

Portanto, se vier o infortúnio diante do Peixe, na decisão do título paulista, muita calma nessa hora, que o objetivo final está além disso.

Sei que é duro, quase impossível, o torcedor de qualquer time acatar tais conselhos. Com ele é oito ou oitenta. Ou ganha ou perde. E, se perder, é o fim dos tempos.

Só peço que não busquem exumar destas palavras de cautelas um mau vaticínio porque o cronista torce contra este ou a favor daquele.

Enfiem definitivamente na cachola que quem torce são vocês, meus amigos. Eu não torço, tento apenas analisar os fatos e contar algumas historinhas que suponho seja de seu interesse. Só isso.

 

3 comentários

  1. Grande Alberto Heleno! Você disse tudo. Eu sou torcedor, frequentador do clube, criei meus filhos lá dentro para não ter que dizer eles que me seguissem. É função dos pais educar seus filhos…. mas, tenho dito para os amigos torcedores como eu exatamente isso que você disse em sua coluna, obviamente com outras palavras. E mais: o Oswaldo tem mostrado sensatez e coragem (que outros “professores” não têm. Ele quer colocar pra jogar os melhores do elenco. Muitos fedelhos comentaristas discutiram quem seria titular, se Valdívia ou Cleiton Xavier, achando que os dois não podem jogar juntos. Ora bolas! O Zagalo já mostrou em 1970 que é preciso jogar os melhores. E vamos pra cima. A melhor defesa é o at…

  2. Grande Alberto Helena! Você está corretíssimo. Sou sócio e frequentador do clube, vou a todos os jogos com nosso mando. Tenho dito a meus parceiros o mesmo que você escreve em sua coluna, obviamente com outras palavras. Temos que ter cautela sim, estamos formando um time. Mas, tenho motivos para esperanças: o Oswaldo de Oliveira tem dado indícios de não fazer a mesmice da maioria dos “professores”, ou seja, mostra que quer os melhores jogando. Não tem essa de o Valdívia não poder jogar com o Cleiton Xavier, como alguns fedelhos comentaristas discutiram que os dois não jogariam juntos e etc. O Zagalo em 1970 mostrou que os melhores devem sempre jogar, quando escalou o ataque sem trombador. E vamos pra cima, sem medo…

  3. GRAAANNDE HELENA!! SEMPRE INTELIGENTE E CLARO. AINDA TEMOS POUCOS JORNALISTAS COM O SEU PERFIL, O QUE É UMA PENA. PALMEIRENSE OU NÃO, TEM MINHA ADMIRAÇÃO! ( RIMOU)

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