Bayern e os 400 de Messi

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Barça e Bayern, os dois times que praticam o futebol mais moderno do planeta (se quiser, substitua o moderno por eterno que dá no mesmo), vivem momentos diferentes nesta quadra do ano. Mas, a bola que jogam ainda é o que há de mais agradável por esse mundão afora. E o resultado deste sábado foi o mesmo: 2 a 0 pra cada um.

O Bayern, por exemplo, está em crise: praticamente um time inteiro de titulares dorme na enfermaria, o que provocou atrito entre Guardiola e o médico, que acabou pedindo demissão. Veio de uma derrota humilhante na Liga dos Campeões para pegar o Hoffenhein, na casa do adversário, com seu time recheado de reservas.

Pois, foi como se nada estivesse acontecendo sob o sol da Bavária. Botou a bola no chão, envolveu o inimigo, criou uma infinidade de chances e o placar final, obtido no último minuto com gol contra do zagueiro, nem de longe reflete a serena superioridade do Bayern.

Já o Barça fez um jogo lancinante com o Valência, no Camp Nou sempre lotado. Como de hábito, a bola ficou a seus pés a maior parte do tempo, mas o Valência, quando partia pra cima, que perereco, meu! É bola na trave, pênalti defendido por Bravo, bolas zunindo os postes, tudo isso após o gol de abertura, logo de saída, de Suárez.

Todavia, o que pairava no ar era o gol de número 400 de Messi, que fazia fila aqui, fazia fila ali, mas, na hora do chute fatal, sempre encontrava um obstáculo à sua frente. O mais ingrato, o travessão, naquela cobrança de falta espetacular no ângulo.

O destino, porém, havia reservado esse momento mágico como a chave de ouro do jogo delirante: já nos acréscimos, Neymar, da sua lateral-esquerda, enfia bola longa para Messi disparar de trás do círculo-central, sozinho; e, para aumentar o impacto, o goleiro rebate a cavadinha, mas nada pôde fazer no toque final, em sequência.

Quatrocentos gols! Isso, no dia em que Pelé, autor de mais de mil gols, confessava publicamente sua preferência por Messi diante de Cristiano Ronaldo.

Não é mole, não, para um jogador que não se limita a ficar ali na zona de decisão para empurrar a bola vadia às redes. Ao contrário, circula pelo campo todo, dribla, arma, lança, dá assistências, faz tabelinhas, distribui chapéus, e desenha com aquela esquerdinha encantada um vasto mosaico de jogadas que, ao mesmo tempo, surpreendem, divertem e definem um jogo, um campeonato, uma era.

Um comentário

  1. O Valência jogou e o Barça ganhou no Camp Nou com 92.900 espectadores.
    Velhos tempos aqueles quando também lotávamos Morumbi,Mineirão,Maracanã,Beira Rio,
    e tantos outros.

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