O craque e o jeitinho brasileiro

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Virou moda dizer-se que nossa Seleção não tem craques, a não ser Neymar, embora ainda haja quem não o considere assim, creia.

Se usarmos Jairzinho, Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino, o ataque do Tri, como termo de comparação, certamente não temos, embora desconfie que Neymar chegará a um patamar próximo desse.

Ou, se quiserem transplantar a comparação para os dias de hoje, tendo como parâmetro Messi e Cristiano Ronaldo, idem, com batatas.

Mas, quem tem, nesse cotejo impossível? Pegue o time da Alemanha campeã do mundo. Se Müller jogasse aqui seria considerado um atacante comum, assim como Kroos e Schweinsteiger, apenas bons passadores de bola. Mário Götze e Özil, dois firuleiros que não levam a nada, e assim por diante.

A coisa não é bem assim. Na atual Seleção de Dunga temos um lateral-direito, Danilo, do Porto, que está sendo disputado a peso de ouro por Barcelona e Real, dois dos times mais poderosos e ricos do mundo. Thiago Silva cansou de ser eleito o melhor zagueiro da Europa e custou mais ao PSG do que Ibrahimovic, a estrela do time. David Luiz faz dupla com Thiago no PSG e também foi eleito como um dos melhores da Europa.

No meio de campo, William e Oscar são titulares do Chelsea, o líder do campeonato inglês, tido como o mais brilhante e bem disputado torneio nacional do mundo. E o reserva P. Coutinho, semana sim, outra também, é festejado como craque da rodada, pelo Liverpool.

Claro, não são craques na acepção da palavra empregada por boa parte da nossa gente. Mas, são craques na média geral dos principais jogadores do mundo, com exceção das exceções já citadas.

O suficiente para criarmos um time capaz de chegar aos extremos, se bem conduzido e escalado dentro de um conceito mais arejado e ousado de jogar bola. Esta é a questão. E este é o segredo de times como a Alemanha – o jeito de se impor em campo.

Nesse sentido, tenho a impressão de que Dunga está tocando o barco de acordo, embora a exibição diante do Chile, domingo, fosse deprimente nesse aspecto. Mas, atenção: era o mistão do Dunga, não o time titular que ele está esboçando para a Copa América. Neste caso, vale mais o desempenho virtuoso diante da França, no meio de semana.

Estou convencido de que Dunga só atingirá o padrão ideal quando exorcizar a figura do tal segundo volante, colocando por ali um meia autêntico que saiba também combater, tipo Oscar ou Everton Ribeiro. Dessa forma, ganhará muito no toque de bola, na posse da bichinha e na armação das jogadas de ataque, mantendo-nos mais tempo no campo do adversário do que agora, quando já houve um grande avanço nesse aspecto, se compararmos com o bumba-meu-boi dos tempos de Felipão e cia.

Mas, isso só será possível experimentar depois da Copa América, caso Dunga se convença dessa alternativa, o que, cá entre nós, duvideodó.

 

 

2 comentários

  1. Prezado Alberto Helena,
    após as derrotas do Real para o Shalcke e para o Barça,a seção de esportes da edição
    espanhola do jornal El País publicou interessante assunto que se conecta perfeitamente com tuas considerações,como se segue,:-
    “Arrigo Sacchi, que fue director deportivo del Madrid y constituye un elemento determinante en la formación de Carlo Ancelotti como entrenador, observa el problema con claridad. “Un equipo es un puzle”, dice. “Si no pones todas las piezas en la posición correcta el equipo no se forma. Kroos es un mediapunta que jugó muy bien en la primera parte del año. Fue una de las claves del Madrid en el primer clásico. Pero no es un mediocentro puro”
    Parece haver outras peças ainda não ajustadas por Ancelotti como é o caso de Bale,
    mas o tema aquí não é Real Madrid e sim corroborar com um conceito racional na
    formação de uma equipe sob o ponto de vista tático.
    Torcemos contigo para que com Dunga o bumba-meu-boi Felipesco não volte mais.
    Abraço.

  2. O Problema é que a safadezaa brasileira chegou a um nível tão notório que os Europeus pararam tanto de valorizar nossos jogadores que por sinal são supervalorizados… hoje diferente de jornalistas torcedores eu também não vejo nenhum ”’craque”’ na seleção brasileira … não existe ninguém em suas respectivas posições que chegue se quer a metade de um Ronaldo, Romário, Cafu, R. Carlos, entre outros recentes pra não voltar ao tempo e buscar melhores ainda … começa com goleiro .. com todo respeito ao Jéfferson ”bom” goleiro mas não faz o menor sentido um goleiro normal até bom de um time mediano que jamais disputa algum campeonato de valor tático ou técnico ser titular … e Neymar o cara especialista no ”jeitinho” brasileiro que aprontou todas e muitas outras está largos passos atras do Suarez matematicamente no Barcelona isso pra não citar o nome do Messi que aí já seria de mais. Isso pra não comentar o que a mídia brasileira esconde porque gosta de manter o lixoo de baixo do tapete .. o caso entre a lavagem de dinheiroo envolvendo pai do Neymar, empresários e presidentes já mostra o ccaráter da atual ”Jóia” brasileira que não é cego nem vítima nesse rolo todo mas em fim torço para que o Brasil forme um dia uma seleção com humildade, sem simulações, com obediência tática e que não confunda criar problemas com esperteza … aí sim dará gosto de ligar a tv e ver a seleção que não é o caso de agora …

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