Ficção e realidade no campo dos sonhos

AFP
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Tava aqui na varanda de casa, à espera do clássico londrino entre Arsenal e Tottenham Spurs, me divertindo com as aventuras e desventuras do detetive Cormoran Strike, personagem criado por Robert Galbraith, que outro não é senão a autora da saga de Harry Potter, J. K. Rowling. Um sujeito grandalhão, sem meia perna, que se arrasta pelas ruas geladas e escorregadias de Londres, atrás de pistas para desvendar um crime cujo móvel é esse manuscrito que está entre ele e a tv, onde o seu Arsenal entra em campo para massacrar o Tottenham Spurs.

Neste instante, passo a palavra a Lady Rowling:

“O jogo estava prestes a começar. Strike deixou de lado o manuscrito, como se tivesse sido aprisionado por bom tempo em um porão escuro e imundo, longe do ar e da luz naturais. Agora, sentia apenas uma expectativa agradável. Tinha confiança de que o Arsenal ia vencer – o Spurs não conseguia derrotá-lo, jogando em casa, há dezessete anos. 

E, por 45 minutos, Strike se perdeu no prazer e gritos frequentes de encorajamento, enquanto seu time fazia dois a zero.

No intervalo, antes do segundo tempo, e com certa relutância, ele tirou o som da tv e voltou ao mundo bizarro de Owen Quine  (autor do manuscrito em questão).

… Strike esteve tão envolvido na leitura que não percebeu que a partida havia recomeçado. Olhou a tv emudecida.

– Porra!

Dois a dois: inacreditável, o Spurs empatara. A defesa do Arsenal se esfarelava diante de seus olhos. Era para ser uma vitória. Eles deviam assumir a primeira colocação na liga.

– MERDA! – berrou Strike dez minutos depois, quando uma cabeçada passou zunindo por Fabianski.

O Spurs venceu.

Ele desligou a tv com vários palavrões e olhou o relógio. Tinha apenas meia hora pra tomar um banho…

…Abatido e irritado partiu para o banho, desejando passar a noite em casa, e sentindo, irracionalmente, que se não tivesse permitido que sua atenção fosse distraída pelo obsceno e pesadelar Bombyx Mori (o manuscrito), o Arsenal poderia ter vencido.”

Nesse exato momento, deixo o livrio de lado  e ligo a tv. O Arsenal logo faz 1 a 0, com Ozil, em feroz investida de Welbeck pela direita, com a participação intermediária de Giroud.

E foi tudo: de resto, só deu Tottenham, que acabou virando o jogo, com dois gols do artilheiro Kane, a sensação atual do campeonato inglês.

É quando a ficção e a realidade se fundem numa só trama no campo dos sonhos.

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