Pensar pequeno apequena

Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

O que se viu nestas primeiras rodadas dos principais campeonatos estaduais não serve como campo de prova do que virá no Brasileirão, Libertadores e outros torneios mais significativos. Isso, porque a fragilidade dos chamados pequenos é flagrante, tanto aqui em São Paulo quanto no Rio. (Talvez, menos no Rio Grande e em Minas. Talvez…).

E isso ficou mais evidente ainda porque este ano os grandes clubes desses centros tiveram um tempinho maior de pré-temporada, o que lhes permitiu entrar nas respectivas competições mais bem preparados fisicamente, ao contrário do que vinha ocorrendo nas temporadas anteriores, quando os pequenos levavam vantagem nesse quesito, hoje em dia tão importante no futebol.

Há décadas, venho repetindo que esses campeonatos estaduais – pelo menos, os dos principais centros do país – são anacrônicos, apenas um grande empecilho para que nosso calendário evolua de forma a oferecer tempo e espaço para nossos times saírem da letargia tática e técnica em que se encontram, buscando formas de jogar mais atraentes, compatíveis com a tal modernidade.

No momento em que, na Europa, se discute a viabilidade de um Campeonato Europeu de Clubes, o que ampliaria a atual Liga dos Campeões e reduziria a importância dos campeonatos nacionais, aqui ainda estamos na era paroquial, aquela história medieval de que o rio que corre na minha aldeia é o mais lindo do mundo.

Quem pensa pequeno, nos limites estritos da visão maravilhada do rio de sua aldeia, num mundo cada vez mais globalizado em que prevalece a teoria das asas da borboleta*, está destinado a se apequenar cada vez mais com o passar rápido do tempo.

E alguém aí duvida que o nosso futebol, celebrado um dia como o melhor do mundo, se apequena ano após ano?

*Pra quem não sabe, a teoria é a de que o singelo e inofensivo bater de asas de uma borboleta na Amazônia desencadeia uma série de eventos capaz tanto de resultar numa catástrofe na África como numa guerra na Ásia. Ou algo assim.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *