
Botinudos e melindrosos, esses jogadores e técnico do Atlético de Madrid. Todos valentões, do tipo – comigo, não, violão!
Meter o pé na cabeça do adversário, pode, afinal, futebol é coisa pra homem, jogo de contato, dizem os mais dissimulados. Mas, levar a bola entre as pernas, ah, de jeito nenhum! Isso é falta de respeito, que respondo no ato com uma bofetada e muitos xingamentos!
Guardadas as devidas proporções, é o que está rolando na mídia espanhola, depois do show de Neymar na vitória do Barça sobre o Atlético, pela Copa do Rei.
Poucos sabem que o primeiro nome dado pelos ingleses de Cambridge, quando o futebol se destacava do rúgbi, era dribling. Isso mesmo: o nosso velho e bom drible, esse movimento mágico que tem duplo objetivo: livrar-se da marcação e desarmar o moral do adversário, ao mesmo tempo.
Se futebol é guerra, como querem esses trogloditas, a arma psicológica é tão ou mais poderosa do que o mero e tosco confronto físico. E muito mais válida, pois não fere as regras do jogo, ao contrário do pontapé, da trombada, da pancadaria em geral.
É o que faz Neymar – dribla e fere mortalmente a alma do adversário a ponto de descontrolá-lo. Como resultado: lá vem amarelo, vermelho e a derrota decorrente.
No fundo, é a velha disputa entre a inteligência e a brutalidade. A brutalidade é o lado animal do homem; a inteligência, o que difere nossa espécie das demais.
Precisa ainda dizer quem acaba levando sempre a melhor?