
Estamos às vésperas da abertura do Paulistão e nosso avozinho d’além mar ainda está rolando no chão de tanto rir do sistema de disputa do torneio.
Sim, porque os clubes que se classificam num grupo não jogam entre si, mas apenas contra os demais, num turno só. Quer dizer: escolhem-se os melhores de um grupo sem que eles disputem essa vaga entre si.
Mas, enfim, estamos na terra dos Del Nero, e só nos resta torcer pelo menos pior.
E o menos pior foi a extensão da pré-temporada, que, se não chegou a ser a ideal, aliviou o sufoco a que os clubes foram submetidos nos últimos anos, sobretudo os grandes, aqueles que disputam o Brasileirão.
Nesse caso, qual deles entra com maiores chances na competição?
Vamos lá.
Se a questão for o maior entrosamento de uma equipe, São Paulo e Corinthians levam vantagem nessa corrida, pois mantiveram praticamente os mesmos times da temporada passada.
O São Paulo perdeu Kaká, é verdade. Ganhou, porém, dois laterais ofensivos – Bruno e Carlinhos -, além do versátil Thiago Mendes. Mas, quem já cavou uma vaga como titular foi Jonathan Cafu, que tirou Alan Kardec do caminho. É que Muricy quer um carinha veloz lá na frente, para compensar a lentidão de Luís Fabiano e Ganso, no que está muito certo. Mesmo porque Kardec não vem correspondendo desde o final do ano passado.
Já no Corinthians, o desafio de Tite é estimular a criatividade do seu meio de campo, apesar de ter à sua disposição uma pá de meias apropriados para essa função: Danilo, Renato Augusto, Jadson, Lodeiro, sei lá quem mais. Nenhum deles tem resolvido a contento essa questão, embora Danilo carregue na testa a estrela do talismã, aquele que entra e salva o time.
Tenho, porém, minhas dúvidas se o problema está apenas na inconstância de seus meias, mas, sim, no sistema adotado, em que eles jogam abertos pelos lados deixando a criação para os volantes, que não são bem desse ramo.
Isso, sem falar na novela Guerrero, fica, não fica.
De outro lado, temos Palmeiras e Santos, os dois que sofreram as mais radicais transformações em seus elencos.
O Palmeiras, então, trocou tudo, de cabo a rabo, e o técnico Oswaldo de Oliveira ainda está na fase da peneira, desfolhando a margarida – este fica, aquele sai, este fica, aquele sai. Sem falar nos que ainda estão para chegar e os que já chegaram mas não readquiriram a melhor forma física, como, por exemplo, Arouca e Rafael Marques. Nesses casos, um ou dois jogadores fazem grande diferença.
Por exemplo: o Palmeiras que estreia neste sábado contra o Audax seria outro, sem dúvida, se pudesse contar com Dudu e Alan Patrick, como chegou a anunciar o técnico durante a semana. Mas, por razões burocráticas, ambos estarão fora. Então…
De qualquer forma, o Palmeiras que vi em ação nos amistosos recentes, embora incompleto, foi animador.
Quanto ao Santos, é de se ver como estão Elano e Ricardo Oliveira, as duas principais contratações do clube. Jogadores experientes, que tiveram momentos deslumbrantes anos atrás, mas que andaram longe dos nossos olhos nos últimos tempos.
O fato é que o Santos perdeu muita gente boa – Aranha, Edu Dracena, Menna, Arouca, entre outros, e a remontagem de um time é sempre algo mais desafiador e demorado.
Certo é que o Paulistão passou a ser, há anos, um campo de prova, um laboratório para os grandes de olho no Brasileirão, Libertadores, Sul-Americana e Copa do Brasil. E assim deveria ser encarado por cartolas e torcida. No entanto, está virando, isso sim, em fatal armadilha para os técnicos dos grandes. Um deles, pelo menos, de hábito, acaba não passando pela prova, que deveria ser apenas um rascunho.