Depois da bela exibição de Dudu no amistoso com o Red Bull, o técnico Oswaldo de Oliveira anunciou que pretende utilizar o jogador em uma função mais abrangente do que aquele confinamento do lado esquerdo do ataque. Vai escalar Dudu pelo meio, armando o jogo e chegando ao ataque.
Oswaldo, sujeito de bom gosto e tino, abre assim um espaço para algumas reflexões a respeito da utilização dos meias habilidosos, de bom passe e facilidade para o drible. Havia uma tendência nos principais centros futebolísticos da Europa no sentido de abrir esses meias para os lados, onde passavam a atuar como uma espécie de segundos laterais – indo e vindo na marcação ao adversário do setor.
Um equívoco que começa a ser revogado lá e que chega aqui, como sempre, com atraso.
Claro, pois, se você abre os meias, oferece aos volantes o ensejo de armar as jogadas de ataque, o que é um contrassenso, pois volante, por definição, estilo e vocação é, no máximo, um bom apoiador, aquele que chega de trás, em jogadas rápidas para definir o último passe ou concluir a gol. Apoia, não arma. E essa é uma das razões que fazem o futebol ficar aquele jogo de pingue-pongue.
Aliás, foi o que anunciou, programou e executou Felipão na Copa do Mundo, com os resultados já sabidos de cor e salteado.
No Chelsea, que se utilizava muito desse expediente, com Oscar e William abertos pelas pontas, por exemplo, com a chegada de Fàbregas, mudou o braço da viola, passando a utilizar Oscar ao lado do espanhol, num triângulo em que o apoiador é Matic, volante de passe exato e certa habilidade.
E William, que descamba para a direita, vira e mexe vai para o meio, juntando-se ao trio de armação dos azuis.
No Real, Kroos, Modric ou Isco e James Rodriguez jogam por dentro, preparando as jogadas para Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo no ataque.
Quanto ao Barça, nem é preciso falar, assim como Arsenal, Manchester City, Bayern de Munique, todos privilegiando seus sistemas de armação com os mais aptos por ali.
Resumindo, o que nossos treinadores com ares de hiper antenados julgam ser moderno já é passado, meu.
Ainda bem que tem um Oswaldo por aí para perceber o óbvio.
Helena, eu o acompanho como cronista esportivo há muitos anos, desde o Jornal da Tarde, e admiro muito o seu trabalho. Concordo em 100% com sua exposição. Pontas são atacantes, que até podem voltar para recompor, porém não são meias, tampouco devem ser com eles confundidos.
Mais ainda: quando nossos técnicos se convencerão a retornar com o antigo meia-armador, que jogava de uma intermediária à outra, marcando e apoiando, como Gerson e Ademir da Guia, que vi jogar, ou Xavi, Iniesta, Schweinsteiger, Kroos e Pogba como os maiores expoentes dos últimos anos? Chega de brucutus cabeçudos, que só sabem dar passes laterais e trazem o adversário para o próprio campo pela incompetência em reter a bola. Que apareçam e proliferem os Zitos, Zequinhas, Clodoaldos, Falcões e outros volantes de fina estirpe, acompanhados por meias visionários e engajados taticamente.
Grande abraço!
Osvaldo ainda vai montar essa equipe de maneira eficiente coloocando as peças nos devidos lugares e tirando maximo de cada um, estou sentindo ótimos fluidos e grandes jogadas pelos lados do verdão!!!!!!!!!!!!
Mas não é este o esquema tão falado pelo Tite que ele aprendeu com o Ancelotti e depois de meditar no Tibet por 1 ano no assunto, ele veio dizendo que vai jogar no 4 – 2 – 3 – 1 ou no 4 – 1 – 4 – 1 que pressupões ter 2 meias formando as alas nos dois casos ? Acho que o Ancelotti lhe contou uma lorota e ele embarcou bonitinho.
O amigo está esperto, hein?