
Tudo que o Corinthian-Casuals, time inglês semi amador que inspirou há um século o nosso Timão, queria era não sofrer uma goleada humilhante na festa do reencontro neste sábado em Itaquera. Pois, o seu homônimo respeitou esse desejo e ficou naquele placar clássico, de chapéu coco, terno escuro, gravata discreta, sapatos de verniz e guarda-chuva fechado, abrindo os caminhos com elegância: 3 a 0.
É verdade que o resultado só se realizou pra lá da metade do segundo tempo, depois que Danilo entrou em campo, como de hábito nesse Corinthians tão avaro em ações ofensivas.
A verdade é que não sei se o placar foi cortesia do nosso Corinthians, ou mero fruto do estilo adotado por esse time há muito tempo. Pelo menos, desde os seis meses finais de Tite na sua segunda passagem pelo Parque São Jorge, emendado com o período seguinte de Mano Menezes.
Sim, claro, não se pode exigir que um time em meio à pré-temporada esteja na ponta dos cascos, esmerilhando. Longe disso. Mas, algo, alguma coisa mais sugestiva além daqueles Corinthians bem arrumadinhos em campo, firmes na defesa e estéreis do meio de campo pra frente, já era pra se entrever nesse time.
Nada. É a mesma toada: bola pros laterais ou meias abertos e os cruzamentos para Guerrero definir na área. Raríssimo trabalho de triangulação no meio de campo, e, quando perde a bola, são oito atrás da linha da bola, o que atrasa uma evolução rápida em contragolpe.
Tite, a exemplo de Mano e demais treinadores brasileiros, não abre mão dos dois dogmáticos volantes nem a pau. E isso – não só isso, claro – mantém o Corinthians atado a um conceito de jogo repetitivo, chato, sem brilho nem imaginação.
Pode até voltar a ser campeão do mundo, tudo é possível no futebol como na vida. Mas, vai ser um longo tédio.