E Rogério fica

RAUL ARBOLEDA / AFP
RAUL ARBOLEDA / AFP

Não me surpreendeu nem um pouco a decisão de Rogério Ceni de renovar contrato com o São Paulo até agosto do próximo ano, com a possibilidade de estendê-lo ao Mundial de Clubes, caso o Tricolor vença a Libertadores.

Ao levantar tal hipótese, tempos atrás, o técnico Muricy, na verdade, estava apenas expressando impressões colhidas em conversas íntimas com o maior ídolo da história do clube.

Ora, Muricy foi o treinador que abriu as portas do sucesso para Rogério, nos tempos do Expressinho, aquele segundo time do São Paulo que encantava quase tanto quanto o primeiro, de Telê Santana. Foi o primeiro técnico a estimular em Rogério a veia de artilheiro, traço que o elevou ao topo da história do futebol planetário. É seu vizinho, e, há anos, quando dá, caminham juntos pelas alamedas do Morumbi, trocando confidências.

Assim, ninguém mais habilitado a captar os sinais do desejo de continuar do goleiro do que ele.

Foi o que escrevi aqui, à época, quando a maioria dava sua aposentadoria este ano como favas contadas.

O fato é que Rogério é um sujeito extremamente competitivo, obcecado pelo trabalho, único há mais de vinte anos, num clube em que exerce seu poder de liderança, outro traço característico do jogador, sem restrições. Logo, abandonar assim a carreira, num momento em que revela plena capacidade técnica como agora, seria muito doloroso para o jogador. Mais doloroso do que as eventuais dores que o perseguem há tempos.

Encerrar tão gloriosa carreira sem um título sequer no ano contraria visceralmente o espírito vencedor de Rogério, sobretudo quando há a perspectiva à vista de uma Libertadores e tal e cousa e lousa e maripousa.

Além do mais, dizem, há razões de foro íntimo que lhe sugerem não cair agora no vazio das preocupações do dia a dia do futebol.

Quanto ao futuro mais distante de Rogério, não tenho dúvidas de que seguirá os passos de um seu antecessor ilustre na vida do São Paulo, goleiro na virada das décadas de 30 para 40, que, ao pendurar as chuteiras, foi eleito presidente do clube, antes de se transformar no presidente da Federação Paulista de Futebol que criou a Lei do Acesso: Roberto Gomes Pedrosa, nome da praça em frente ao estádio do Morumbi.

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