Dia da Consciência Humana

somosiguaisSomos Todos Iguais – quantas vezes o amigo viu na tv jogadores de futebol exibindo faixas com esses dizeres, pelo mundo afora?

Isso faz parte de uma grande campanha, encabeçada pela Fifa e atendida por suas filiadas, na busca de se erradicar o racismo, a discriminação e o preconceito da alma humana, tarefa inglória desde que o primeiro primata ergueu-se, encarando o horizonte e iniciando a caminhada sobre o mundo.

Houve avanços, é óbvio, pontilhado de retrocessos, de tempos em tempos. Talvez, porque o foco dessas campanhas esteja de certa forma embaçado.

Sim, claro que somos todos iguais, como espécie e frente à lei, pelo menos na parte mais civilizada do planeta, onde impera a democracia e o estado de direito. Mas, o fato é que somos diferentes uns dos outros, quando não de nós mesmos. Diferentes na cor da pele, no formato do rosto, na estatura, nas variadas culturas, idiomas, crenças, hábitos e costumes.

Basta dizer, num lance mais radical, que não há dois indivíduos com a mesma as mesmas digitais e o mesmo DNA. E, quantas vezes cada um de nós, depois de fazer uma besteira, não se olhou no espelho e disse a si mesmo, perplexo: esse não era eu!

Crentes no mesmo Deus se matam há séculos e séculos. Tribos da mesma cor se dizimam mutuamente. Irmãos do mesmo sangue se odeiam até a morte. Povos que falam a mesma língua promovem verdadeiros horrores fratricidas. E há casos recorrentes em que pessoas se auto mutilam por não aceitarem a si mesmo.

Rico despreza pobre que odeia rico, homossexuais são linchados em praça pública, judeus perseguidos, negros xingados, asiáticos sofrem humilhações, os baixinhos são gozados, assim como os gordos, os muito altos, os narigudos, os orelhudos, os carecas, os peludos, os imberbes, enfim, toda a raça humana, que não foi feita à imagem e semelhança de um Deus perfeito, nem aqui, nem na China.

Diante de tantas e tão variadas diferenças, pregar a igualdade chega a ser uma incoerência intransponível.

No Dia da Consciência Negra, marco recente da justa luta contra o racismo e o preconceito, me pergunto se não está na hora de mudar o braço da viola, com igual  nobre objetivo.

Isto é: lutar pelo respeito às diferenças, isso, sim. Que cada um de nós aceite conscientemente e, na prática do dia a dia, respeite seu semelhante tão diferente.

A partir daí se instalaria no mundo o Dia da Consciência Humana, todos os dias, até o sol se apagar.

E, então, todos nos estádios de futebol, nas praças públicas, nas aldeias mais remotas, portariam nos corações e nas mentes as faixas com os sábios dizeres do velho anarquismo: Meu Povo é a Humanidade, Minha Pátria é o Mundo Inteiro e Minha Bandeira é o Sol.

 

 

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