
Ah, que bela surpresa! Confesso que pouco assisto aos jogos do campeonato italiano, já enfastiado daquele joguinho modorrento, defensivo, faltoso e chato dos últimos anos. Coisa parecida com o que se vê por aqui, desde o o advento da era felipesca, há quase duas décadas.
Mas, esse Juventus e Roma valeu por uma temporada inteira. Que jogo lancinante, lá e cá, o tempo todo. Pirlo, de volta, armando sua Juve com a categoria de sempre, enquanto Totti respondia na mesma moeda pela Roma. Juntos, somavam mais do que tenho de vida: 74 anos, se ainda sei fazer essas contas.
E, lá na frente, Tevez, de um lado, perturbando a defesa adversária; de outro, Gervinho, sua velocidade e seus dribles em série, infernizando a área da Vecchia Signora.
Até o juiz merece loas. Arbitragem perfeita, com a marcação exata de três pênaltis – dois para a Juve, que Tevez converteu, e um para a Roma, finalizado por Totti -, além da expulsão de Morata e Manolas, que se estranharam no fim da partida. No meio disso tudo, um gol esperto de Iturbe, em jogada espetacular de Gervinho, e, no fim, o sem-pulo sensacional de Bonucci, que definiu o placar em 3 a 2, mantendo a incrível invencibilidade de seu time e dando à Juve a liderança do campeonato, três pontos acima da Roma.
Pouco antes, em Londres, o Chelsea meteu 2 a 0 no Arsenal, num jogo tão disputado em que até os técnicos Arsène Wenger e Mourinho trocaram empurrões à beira do campo. Entende-se, pois Wenger é velho freguês de Mourinho, e o gajo adora uma provocação.
O jogo, ao contrário do que se supunha pela formação ofensiva das duas equipes, foi disputado mais na base do pega-pega do que da criatividade. E, se bem espremido, pingam duas gotas de ouro: a jogada de Hazard no pênalti que sofreu e converteu e o golaço de Diego Costa – o brasileiro naturalizado espanhol está um aço! -, lançamento longo e perfeito no peito do artilheiro, que matou e deu uma cavadinha sobre o goleiro.
E assim o Chelsea segue líder absoluto e invicto, com pinta de levar a taça no final, embora seja muito cedo para qualquer previsão mais sólida.