
Está no Estadão pra quem saiba ler: o chefe de Arbitragem da Fifa, o ex-juiz italiano Massimo Busacca, diz com todas as letras que no Brasil a turma entendeu tudo errado sobre essa questão da bola na mão e mão na bola.
A regra 12 não mudou uma linha sequer desde que foi criada há cem anos, segundo a qual a infração só deverá ser punida se o jogador levar intencionalmente a mão ou o braço à bola. Isso é sagrado e está sacramentado no livrinho de regras. Ponto final.
E aqui entra a figura do defensor abrindo os braços, com clara intenção de aumentar seu campo de defesa diante do adversário que vai chutar a bola. Este é o tal movimento antinatural bem configurado. Recomendação, aliás, feita já há muitos e muitos anos pela Fifa.
O que houve apenas foi um reforço a essa recomendação – que, por sinal, não encontrei expressa ou impressa em nenhum lugar -, às vésperas da Copa do Mundo no Brasil, para que os árbitros observassem o que seria um movimento antinatural dos braços do jogador que eventualmente cometesse a infração.
Só isso. Nada mais que justificasse essa lambança que andaram dizendo e fazendo por aí, desde o chefe da arbitragem brasileira até os catedráticos do assunto na tv (alguns, queridos amigos), passando, claro, pelos juízes que apenas cumprem as ordens emanadas da chefia.
Lambança, como bem disse um frequentador deste blog, está transformando o futebol brasileiro em jogo de queimada.
A propósito, ainda hoje ouvi no programa do Wanderley Nogueira, na Pan, Rogério Caetano, diretor de árbitros da FPF durante séculos, repetir essas mesmas observações que acabei de fazer – mais extensivas e detalhadas ainda num blog anterior, que o amigo achará fácil aí embaixo sob o título Interpretação da Interpretação.
Só não fico pasmo diante de tamanho equívoco porque conheço bem o meu povo, e sei do seu desprezo pelas palavras e do horror pelo dicionário, também conhecido como o Pai dos Burros.