O cigarro de palha e as ondas do mar

Foto: Washington Alves/Lightpress
Foto: Washington Alves/Lightpress

Depois de dois tropeços seguidos, o que deixou sua liderança ameaçada, o Cruzeiro se recompôs diante do Santos, ao vencer por 3 a 0, placar categórico mas um tanto exagerado pelo andamento do jogo, pois o Peixe teve duas ou três chances claras para reduzir essa diferença.

Mas, se na contagem de pontos, o Cruzeiro sente o bafo no cangote do Inter, pelo menos, se afastou mais do Fluminense, que perdeu por 2 a 0 do Botafogo, com direito a pênalti perdido por Fred. Digo isso porque considero que Cruzeiro e Flu são aqueles que praticam o futebol mais agradável deste Brasileirão.

A diferença é que os mineiros, quando veio a tormenta, ficaram ali na cadeira de balanço da varanda enrolando seu cigarrinho de palha, até que os ventos assentassem. E, quando voltaram a campo aberto, uma brisa soprou a seu favor. Refiro-me àquele gol de Marcelo Moreno, que abriu o placar. No rigor da lei, o bandeirinha deveria ter assinalado impedimento de Ricardo Goulart, que participou, sim, senhor, da jogada, desviando a atenção do goleiro Aranha que só falhou por causa disso.

Isso, porém, não diz tudo. O Cruzeiro marcou mais dois gols, com o artilheiro Ricardo Goulart e Júlio Baptista, já no finzinho, em mais uma atuação de elite do meia Everton Ribeiro (o que mais precisa fazer para ganhar uma chance na Seleção, meu Deus?).

Quanto ao Santos, vale dizer que fez o que pôde diante de um adversário superior, armado há muito tempo pelas mãos hábeis de Marcelo Oliveira, e que Robinho, mais uma vez, foi seu principal jogador, movimentando-se muito, criando as melhores jogadas de seu time e tudo o mais.

Já o Fluminense não conseguiu se reerguer depois daquele desastre do meio de semana, pela Copa do Brasil, quando foi desclassificado por 5 a 2 pelo modesto América de Natal. Ao contrário: perdeu um clássico contra o Botafogo, que vem se arrastando nas últimas colocações do Brasileirão, jogando bem abaixo de suas possibilidades.

E, acreditem!, com uma mancada fatal de Cristóvão Borges, técnico que não canso de exaltar as qualidades, ao trocar Cícero por Walter, justamente pouco antes de o Bota disparar os 2 a 0 no placar, com Daniel e Ceballos.

Com essa troca, o Flu perdeu o meio de campo, e, quando quis se recuperar já levando de dois no lombo, Fred chutar pra fora o pênalti que poderia recolocar seu time no jogo.

É hora de o baiano Cristóvão sentar em frente ao mar e deixar-se levar pelo marulho das ondas. Elas o levarão, por certo, de volta ao campo dos sonhos.

 

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