Timão: 1 a 1 (bocejos)

Sergio Barzaghi/Gazeta Press
Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Num jogo pontilhado das já tradicionais faltinhas, bolas pra lateral, erros sucessivos de passes e sem nenhuma imaginação, o Corinthians empatou por 1 a 1 com o Bahia, num Itaquerão com lotação de 30 mil fiéis cheios de esperança. Esperança de ver seu time subir ainda mais na tabela, já que o Inter, pouco antes, havia derrotado o Goiás e assumia a liderança, pelo menos, por uma noite.

Mesmo porque a esperança de que o Timão, de repente, passe a jogar um futebol exuberante, pleno de encantos e repetida emoção de gols vai se esvaindo a cada rodada.

Tudo bem: o campeonato é difícil; não há mais bobo no futebol; eles sempre fazem um gol em nós de bola parada, apesar de tanto que treinamos essas jogadas; é duro furar essas retrancas; água mole em pedra dura tanto bate até que fura; Deus ajuda quem cedo madruga e bote frases feitas nessa história tediosa, girando sobre o mesmo tema e com desfecho previsível – um longo bocejo na noite fria e chuvosa.

Sim, claro, o Corinthians poderia ter vencido esse jogo, com uma das cabeçadas de Guerrero ou de Ralf ou e de Elias, no finzinho, além daquela certeira de Gil, assim como o Bahia teve uma excelente oportunidade com Barbio. Mas, isso apenas empurraria com a barriga um problema já crônico no Corinthians de Mano Menezes que vem desde os tempos de Tite: a incapacidade de furar retrancas e de fazer gols, mesmo quando não há à sua frente retranca alguma.

A defesa corintiana é joia, mas o ataque, com dois, com três avantes, com o artilheiro Guerrero, sem Guerrero, não funciona à altura do potencial dos jogadores de que dispõe o time para esse setor.

Então, o nó está na armação? Sempre está, nessas conjunturas, em qualquer time do mundo. E o Corinthians, em especial, padece desse mal, apesar de todas as tentativas do treinador.

Era, diziam, a falta de Paulinho, aquele volante que chegava toda hora à frente, e ainda por cima marcava gols, um atrás do outro.

Memória de alfinete dessa gente, pois, ainda com Paulinho no time, era a mesma história: 1 a 0, 1 a 1, 2 a 1, três, então, era uma festa anual.

Bom, se era não deveria ser mais, pois lá está Elias, um Paulinho ainda mais dinâmico.

Jadson! Eis a solução: um meia de habilidade, de passe medido, experiente e portanto capaz de organizar o time a partir do meio de campo. O problema é a inconstância de Jadson. Às vezes, dá conta desse recado; às vezes some do jogo e quando reaparece é para errar aquele passe indispensável.

Então, bota aí o Renato Augusto, que é mais participativo. Sucede que nunca se sabe quando o técnico poderá contar com Renato Augusto, vira e mexe, na enfermaria. Enfim, não consegue ter a necessária sequência de jogos para cumprir essa nobre tarefa com esmero.

Ah, sim, há Petros. Mas, Petros não chega a ser um autêntico armador, desses caras que pensam o jogo. É mais um executivo do que um filósofo da bola. Além do mais, tudo indica, não haverá Petros por um bom período, já que o rapaz deverá pegar punição braba do STJD nesta segunda-feira.

Resta esperar que Renato Augusto pegue no breu e que Jadson desligue o relê da intermitência. Ou, quem sabe, possa Mano recorrer ao velho e bom Danilo, há tanto tempo fora do time que já até tinha me esquecido dele?

Sei lá. Só sei que, apesar disso tudo, o Timão está lá na zona da Libertadores, com boas chances de brigar pelo título brasileiro, mesmo nessa toada enjoativa. E, pra grande massa da Fiel, não é o resultado final que importa? Então.

Um comentário

  1. Sr. Alberto, eu gosto muito dos seus comentários, mas por favor não continue chamando a Arena Corinthians de Itaquerão, obrigado!

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