O novo Real de taça na mão

AFP
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E o Real Madrid levantou sua primeira taça do ano, ao bater o Sevilha por 2 a 0, pela Super Copa da Europa.

Mas, não foi do jeito que se esperava a partir da escalação do time, com os estreantes Kroos e James Rodrigues no meio de campo, ao lado de Modric logo atrás de Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo.

Espiando assim, sobressalta a vocação irreprimível de um time altamente ofensivo, sem nenhum cabeça-de-área, ou primeiro volante, como a turminha gosta de chamar hoje em dia o que era half , para o inglês, ou alfo ou ainda arfos, na fala do Brás antigo; médio, depois médio apoiador, médio volante e por fim apenas volante. Mais recentemente, um volante que não vola, não vai e vem; fica.

Desprezar o valor e o sentido das palavras, aliás, é um esporte nacional. Graças, sobretudo, à malfadada herança da ditadura militar que sucateou o ensino público para atender aos donos de escolas particulares, muitos deles pródigos financiadores dos organismos de repressão. Mas, essas são histórias antigas, não é mesmo? Só que pagamos hoje o pato de ontem. E, pelo visto, a longas prestações, se olharmos adiante.

Voltando à vaca fria. Ou não, pois me incomoda esse negócio de os nossos locutores pronunciarem o nome do meia colombiano artilheiro da Copa e recém contratado pelo Real ao pé da letra do espanhol: James, a forma anglicana do original hebraico Haim, que o espanhol traduziu para Jaime, com o J pronunciado à moda do H aspirado, assim como no hebraico. Então, meu amigo, ou é James à inglesa (pronuncia-se Jeimes, como o amigo está cansado de ouvir) ou é à espanhola Jaime (Raime, com esse erre aí abrandado na glote).

O Rames com que nossos narradores chamam o rapaz, segundo se sabe a pedido do próprio jogador na Copa, é consequência da praxe espanhola de pronunciar palavras estrangeiras exatamente como se fala nas regras do castelhanos. Mas, que diabo!, não somos espanhóis. E a nossa praxe é reproduzir o som mais próximo do original quando se trata de nomes ou expressões estrangeiras.

Digressões inúteis, bem sei, pois essas coisas todas entram por um ouvido e saem por outro, que atrás vem gente. E o que importa é bola na rede.

Bem, bola na rede é com Cristiano Ronaldo, autor dos dois gols que deram a taça ao Real – um, de puro oportunismo, fechando pela direita para aproveitar cruzamento exato da esquerda por Bale; outro, de pura técnica, ao bater de canhota no canto oposto do goleiro, a partir do bico esquerdo da área.

De resto, pouco dá para analisar a nova formação do Real, pela falta de treinos e jogos suficientes para que os novatos se insiram no time naturalmente e desenvolvam todo o seu imenso potencial. Mas, que sugere, ah, disso não tenho a menor dúvida.

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