Milonga e tarantella no centenário verde

Fernando Dantas/Gazeta Press
Fernando Dantas/Gazeta Press

Neste ano de seu centenário, o Palmeiras, em vez de dançar a tarantella de suas ilustres origens, canta um tango, até agora, lacrimoso, à espera do momento da mudança do ritmo da guitarra para a alegre e pícara milonga argentina.

Tanto, que o técnico Gareca já pensa em lançar na noite desta quarta-feira, contra a Fiorentina, pela Copa Euroamericana (mais uma neste calendário sem fôlego do futebol brasileiro), o seu compatriota Allione, que desembarcou ontem em São Paulo sem ter a mínima ideia de onde fica a Praça da Sé. Mais um dentre tantos argentinos recentemente contratados pelo Palmeiras. E, pelo que dizem, vêm mais por aí.

Nada contra a importação de técnicos e jogadores estrangeiros, sobretudo argentinos e uruguaios, duas escolas respeitáveis no mundo todo, a vida toda.

Aliás, vale lembrar que técnicos argentinos e uruguaios, como Conrado Ross, Jim Lopes, Ondino Vieira, Filpo Nuñes e tantos outros que aqui aportaram décadas atrás muito contribuíram para o avanço do nosso futebol, sempre carente de boas e novas experiências táticas.

Isso, sem falar em dois húngaros providenciais: Dori Kruschner, que, na década de 30, implantou no Flamengo o WM, revolucionando o sistema tático (o clássico 2-3-5) adotado no Brasil, e Bella Gutman, que, ao assumir o São Paulo, em 57, imprimiu a objetividade que nos faltava, o mesmo conceito imposto por Feola, que era supervisor do Tricolor à época de Gutman, na conquista do primeiro Mundial pelo Brasil na Suécia.

Muito menos condeno a importação de jogadores argentinos, que vêm da segunda maior usina de craques do mundo (a primeira ainda é o Brasil, sobretudo pelo tamanho da nossa população). Sucede que, no passado, os argentinos, uruguaios, paraguaios, chilenos, peruanos e colombianos contratados pelos brasileiros eram craques consumados, de Seleção, mesmo que no limiar do fim de carreira. Agora, com o filtro de ouro europeu, resta-nos trazer jogadores de nível, no mínimo, duvidoso.

O que me incomoda um pouco é esse viés de compadrio que marca não só a presença de Gareca no Palmeiras, mas, também dos técnicos brasileiros em geral. Essa coisa de se cercar de jogadores com os quais já tenham trabalhado neste ou naquele clube.

Fosse eu técnico de futebol, ganhando, sei lá, 300, 500 mil, um milhão por mês, destinaria metade dessa grana para montar uma rede de olheiros mundo afora que me enviariam relatórios, vídeos, o diabo a quatro, sobre tais e quais jogadores poderiam ser utilizados de acordo com minhas necessidades. O mesmo se aplica aos clubes que torram fortunas indo na conversa deste ou daquele na hora de contratar jogadores, e, que, por incúria, deixaram nas mãos dos empresários essa tarefa.

Nenhum esquema garante vitórias em futebol, esse jogo tão caprichoso. Mas, quanto menos margem de erro você tiver, mais chances de êxito terá.

Do jeito que a coisa anda, só resta torcer pra que dê certo, e o Palmeiras consiga decolar com essa leva de argentinos, ao som de uma milonga divertida, alternada com a malícia da tarantella dos velhos tempos do Palestra centenário.

 

 

 

Um comentário

  1. Eu vejo o Palmeiras contratando todos esses jogadores e fico pensando, faz um bom tempo que o verdão não contrata com qualidade, de nada adianta contratar aos montes, seja brasileiro ou estrangeiro, formando um time novo a cada ano sem entrosamento o que é o mais importante, portanto, a continuar assim, ficará cada vez mais enfraquecido!

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