A volta de Luxemburgo

Gilvan de Souza/Flamengo
Gilvan de Souza/Flamengo

Luxemburgo foi retirado da sombra e água fresca, onde se amoitava durante tempo demais para um treinador tão vitorioso como ele, e acaba de assumir o Flamengo, lanterna do Brasileirão desde que Ney Franco substituiu Jaime de Almeida, na mais desastrosa manobra da atual diretoria rubro-negra.

E o que mais chamou a atenção na sua primeira entrevista coletiva como treinador do Flamengo –  até mereceu críticas de quem ouviu cantar o galo mas não sabe onde – foi ter declarado que a Copa não ofereceu nenhuma novidade quanto aos sistemas e táticas de jogo. Mais tarde, explicou com detalhes: o toque de bola envolvente e o rodízio dos jogadores do meio de campo pra frente mostrado pela campeã Alemanha, assim como o Bayern, base da seleção germânica, ou a Espanha de 2010 moldada no Barça tantas vezes campeão, não é nenhuma novidade. Todos têm como inspração a Seleção Tricampeã do Mundo de 70, a mais perfeita execução desses movimentos coletivos.

Aliás, não há nada de novo sob o sol do futebol, a partir da criação do WM de Herbert Chapman, instituído no final dos anos 20, a não ser o estalo do Carrossel Holandês de Rinus Mitchells, em 74, que se esgotou em si mesmo, deixando, porém alguns legados colhidos pelos seus sucessores. Dentre eles, Guardiola e o próprio Joachim Löw, segundo suas próprias declarações.

Guardiola, num determinado momento do Barça, chegou a ir mais longe no tempo, restaurando um autêntico sistema clássico, o secular 2-3-5, com dois zagueiros plantados no meio de campo (Puyol e Piqué), três médios (Daniel Alves, Busquets e Abidal) e cinco atacantes (Sanchez ou Pedro, Xavi, Messi, Iniesta e Villa). Mas, isso foi episódico e sutil demais para a percepção do olhar mais desinformado.

Todos os sistemas existentes são meras variação do WM – três zagueiros (entenda-se dois laterais e um central), dois médios de apoio, dois meias de ligação e três atacantes. Então, você recua um médio, formando o 4-3-3, e avança um meia, desenhando o 4-2-4 ou recua os pontas e estabelece o 4-4-2. Não se deixe iludir pelas excessivas decupagens  feitas por nossos bravos comentaristas, essas tantas distribuições de jogadores em campo que mais se assemelham a número de telefone ou de CPFs – 4-2-1-3-7860, dígito 53.

Futebol não é pebolim, meu. O ponta que recua pra buscar jogo ou combater o lateral não é nem novidade tampouco isso o transforma em meia. E assim por diante.

O que mudou, para os olhos míope do nosso futebol, é o conceito de jogo: menos volantes brucutus, mais meias; menos defesa e mais ataque, pra resumir o papo.

E Luxemburgo, que pode merecer todas as críticas do mundo por seus outros tantos defeitos, durante seu longo período de reinado no futebol brasileiro pautou-se exatamente por adotar tal postura moderna. E despencou exatamente quando passou a apelar para as fómulas superadas dos três zagueiros, três volantes e tal e cousa e lousa e maripousa.

O diabo é que Luxemburgo volta para resgatar o Flamengo do fundo do poço, situação que exige, antes de mais nada, evitar riscos maiores.

A não ser que ele coloque em campo a divisa que repetiu a vida inteira: o medo de perder tira a vontade de vencer. Aí, então, ou vai ou racha!

3 comentários

  1. sou seu fã, principalmente pela forma educada com que coloca suas opiniões. assisto futebol há mais de 50 anos, e cheguei a uma conclusão simples: todos os 11 em campo, tem que ter bom nível técnico, saber marcar sem ser faltoso, e TODOS participarem SEMPRE do jogo. Feito isso, é um time vencedor, não sei se numa copa, quando em um único jogo pode acontecer qualquer resultado, mas em um campeonato mais longo sempre terá uma boa participação. abs.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *