O que muda? Nada!

Foto: AFP
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Depois de muito meditar, durante os quatro anos que o separaram da última experiência na Seleção, depois de muito conversar com Arrigo Sacchi (que ele chama de Enrico), Arsène Wenger e outras celebridades do futebol internacional, Dunga anunciou a única mudança operada na sua visão de vida: vai procurar ter um relacionamento mais civilizado com a imprensa.

De resto, seu discurso na entrevista coletiva de apresentação no novo treinador da Seleção Brasileira pela CBF, foi uma pilha de lugares-comuns, igualiazinhos a tudo que disse e pensava Felipão quando lá estava: não tem mais bobo no mundo; é preciso comprometimento; o futebol moderno exige muita marcação e tal e cousa e lousa e maripousa.

Ah, sim, e, a exemplo de Felipão, exibiu seus 76 por cento de aproveitamento durante sua antiga gestão, números que seduzem os mais desatentos pragmáticos de plantão.

Ora, ora, ora. Faça o amigo um levantamento do desempenho de tantos outros técnicos brasileiros e verá que sempre variam em torno desse resultado, pra mais ou um pouco pra menos. Aliás, são números similares aos obtidos e exibidos por Felipão, somando-se seus dois períodos à frente da Seleção.

Claro: a Seleção Brasileira, em qualquer época, na baixa ou na alta, sempre esteve entre as melhores do mundo, e ganhou muito mais do que perdeu ou empatou.

A questão, pois, nunca foi essa. O que diferenciava a Seleção Brasileira das demais era justamente aquela capacidade singular de encantar, na derrota ou na vitória, pois o futebol vai além da simples aritmética. E isso, há anos, só subsiste no imaginário dos estrangeiros, imagem, aliás,  que já começa a ficar desfocada na memória do mundo, graças aos Felipões, Dungas e Parreiras da vida.

Enfim, nada muda com a volta de Dunga, a não ser sua promessa de se relacionar melhor com a imprensa. Confesso que não esperava muito mais mesmo.

5 comentários

    1. 76% de aproveitamento até pegar um time de ponta… Tem sido assim já faz um tempo. Vencer times de segundo e terceiro escalões durante 4 anos não credencia alguém para voltar ao topo. Isso ficou claro na copa que passou e já em outras. Amistosos, por exemplo, só valem para ter uma ideia superficial do time. Num campeonato superestudado como uma copa, os times entram com atenção total e tentando errar o mínimo possível, com desempenho físico e tático melhores que em “amigados”, “friendly matches” ou “amistosos”, ou como queriam chamar joguinhos de fim de temporada em que os times jogam mais por esporte que por fome de vitória, quando não com seus jogadores evitando entradas ríspidas para garantir suas atuações em finais de ligas nacionais e continentais. São joguinhos que só contam nas estatísticas do ranking da FIFA e é preciso ser ingênuo para dar grande crédito a eles.
      Se o camarada Dunga baseia-se nesses jogos, começou mal.
      Mas, falar em melhora de um time que chegou no fundo do poço não é difícil (o pior time brasileiro de todas as copas (o de 2014) está muito aquém até do time de 2010). O difícil é falar em melhora do esporte (futebol) no país.
      É claro que os cães da CBF não largariam seus ossos jamais. Eles estão lá por conta de dirigentes de clubes que são uma pantomima deles mesmos. “Futuro diferente seria impossível”. Além disso, com tanto dinheiro envolvido, nenhuma vergonha é capaz de forçar renúncia. Isso só acontece em países que “já deram certo”.
      A única esperança é que esse Bom-Senso FC ganhe poder suficiente para provocar algumas alterações na base de tudo isso: nos clubes. Começa com os clubes e só depois, com dirigentes diferentes, poder-se-ia pensar numa entidade nacional diferente.
      Até lá, mais anos e estádios esvaziados, serviços miseráveis e expectativas de times vergonhosos. Quem tiver tempo, que assista!

      1. É verdade o que você falou sobre os amistosos. Mas na época do Santos de Pelé, os amistosos eram valorizados porque todo mundo queria ver Pelé e todo mundo queria ganhar do time de Pelé.

  1. Olha, Alberto Helena, Felipão, em seu retorno à Seleção, jamais deu padrão ao time. Jogou com garra a Copa das Confederações e nada mais. Mas padrão, não havia. Dunga pelo menos deu padrão ao time. Repito: do que havia no mercado entre os ruins, ele é o menos pior.

    Agora, me admira você, uma pessoa extremamente rodada no futebol e esportes em geral, sabendo que a CBF está nas mãos de Marin e Del Nero, imaginar que viesse qualquer coisa que pudesse mudar algo ou ameaçar o status quo dessa choldra que é essa entidade -e as entidades estaduais em geral. Isso sim é o que me surpreende. Dunga é o menos ruim. E como se diz em espanhol: listo.

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