Ufa, passamos!

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press
Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sou de um tempo em que a Colômbia era um saco de pancadas. Portanto, causava-me estranheza, pra dizer o mínimo, esse temor que paralisava o torcedor e a mídia brasileiros às vésperas do jogo, ainda que os colombianos viessem cumprindo bela campanha na Copa, enquanto o Brasil caminhava aos trancos e barrancos.

Mas, logo aos 6 minutos, em corner cobrado por Neymar, Thiago Silva abriu o placar, o que deu ao Brasil o respiro necessário para tocar na banda sem desafinações.

E fomos bem durante o primeiro tempo, sem correr riscos, embora sem criar muitos perigos, a não serem duas investidas de Hulk pela esquerda, devidamente aparadas por Ospina, um grande goleiro, diga-se.

A explicação do bom jogo do Brasil talvez esteja na presença de Maicon no lugar de Daniel Alves, pela lateral-direita. Assim como ao fato de Oscar não ficar fixo na direita, descambando para o meio, onde ele é de grande utilidade. Ainda que Neymar não estivesse nem perto do que costuma ser. Muito provavelmente, por questões físicas. Tanto, que o craque saiu de campo direto para o hospital.

No segundo tempo, porém, a Colômbia cresceu. Contudo, em meio a esse processo, meteu-se David Luiz, um dos principais da equipe nesta Copa, com aquela cobrança de falta fatal: 2 a 0.

Aos 33, entretanto, os colombianos diminuíram com a cobrança de pênalti cometida por Júlio César e até o final foi um sufoco controlado.

A ausência de Thiago Silva contra a Alemanha não chega a ser aterradora, pois Dante é beque de igual nível.

Tragédia seria a ausência de Neymar.

Mesmo assim, apesar da grande classe dos alemães, eles costumam tremer diante da amarelinha. E, nesta Copa, a história está fazendo história.

 

ACHTUNG!

AFP
AFP

Nessa guerra que remonta a tempos imemoriais, desta vez, ganhou a Alemanha, 1 a 0, gol de cabeça de Hummels, zagueiraço que andou passando maus bocados nesta temporada por causa de seguidas lesões.

E Hummels não fez apenas o gol da vitória tedesca. Foi, simplesmente, monumental lá atrás, ao lado do goleiro Neuer, sempre que a França botou as manguinhas de fora, com a investidas de Pogba – esse jovem e extraordinário volante negro – e as finalizações de Benzema.

Por falar em negro, comovente as falas dos representantes alemães e franceses antes do apito inicial contra o racismo. Justamente, os dois povos que, num passado mais ou menos recente, marcaram sua história pelos atos racista mais nefandos.

Não é preciso lembrar a ação de Hitler e seu asseclas contra judeus, negros, ciganos, e todas as etnias (sic) ou povos que não fossem arianos puros. Ou será? Afinal, o esquecimento é uma das armas mais eficazes para a sobrevivência dos homens.

E os franceses? É certo que há na França, faz algum tempo, um forte movimento de inclusão de imigrantes árabes e negros, provindos das antigas colônias africanas. Mas, sempre haverá um Le Penn a vomitar frases do tipo – a Seleção Francesa é mais africana do que francesa.

Mas, isso parece inevitável. Nem todos nós fomos ungidos com o dom da tolerância, tampouco somos capazes de assumir o dístico da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
É verdade que nem tudo são flores. Tanto que Benzema, por exemplo, de ascendência árabe, nega-se a cantar a Marselhesa, um hino à liberdade, igualdade e fraternidade, porque o poeta deixou verter um sangue impuro em meio aos versos libertários. Coisas da vida.

Mas, voltando ao campo de jogo, foi um belo espetáculo. Tenso, bem disputado tecnicamente, equilibrado na divisão do tempo de bola, com a França pressionando muito, claro, no final, em busca do empate, ao menos.
Resumindo: um jogo que merecia ter sido a final desta Copa em que não há nenhum super time, mas que tem sido jogada num nível expcional.

LOS HERMANOS

Celio Messias/Gazeta Press
Celio Messias/Gazeta Press

Até aqui, a Argentina não foi nem sombra das expectativas que a cercavam antes da Copa. Mas, Messi, ainda que discretamente, vai tocando o barco portenho, com seus gols e assistências providenciais.

Agora, porém, terá de jogar o que ainda não jogou, pois a Bélgica, que começou o torneio a meio pau, já deu na última rodada sinais do que é capaz: um time de bom toque de bola, firme na defesa, graças, sobretudo, a Kompany – um zagueiraço – e incisivo no ataque, Hazard e cia. A tal ponto, de ter disparado a maior média de chutes defendidos por um goleiro – Tim Howard – ao longo de toda a história das Copas.
Hay que pelear, hermanos…

ROBBEN VERSUS RUIZ

São dois craques, canhotos, de estilos, porém, diferentes.

O holandês Robben é aquele aríete, veloz pela direita, que, aos dribles infamantes, corta pra dentro e dispara ou serve os companheiros de bandeja. Até aqui, o melhor e mais cintilante da Copa.
Aliás, já teria sido eleito o melhor do mundo tempos atrás, não fosse vítima de tantas lesões recorrentes ao longo de sua carreira.

Já o costarriquenho Bryan Ruiz é mais aquele meia-armador clássico, elegante, dono do meio de campo, que faz seu time jogar e, com frequência chega ao ataque para resolver.
A Holanda oscilou ao longo da disputa. A Costa Rica andou em linha reta – ou, se preferirem, numa linha ascendente.

É a maior e mais grata surpresa da Copa.

Mas, algo me diz que já cumpriu sua brilhante missão.

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