
Domingo, às 10h10, a Fórmula 1 vai se despedir de 2021 no GP de Abu Dhabi (transmissão pela TV Globo e BandNews FM). A corrida final da temporada será também a última oportunidade para vermos o tetracampeão mundial Sebastian Vettel com o vermelho carmesin da Ferrari. No ano que vem trocará pelo verde jade da Aston Martin. Aqui segue o texto elaborado pela advogada paraense Andrea Borges Leal, em nome das Vettels, ativo grupo de sete torcedoras fiéis de pontos distintos do Brasil, avaliando a trajetória de Seb pela Ferrari e as perspectivas para o novo desafio.
Convém lembrar que no GP Brasil de 2019, as Vettels pontificaram quando fizeram uma homenagem ao piloto na quinta-feira, no paddock de Interlagos. As imagens do grupo ao lado do piloto alemão correram o mundo.
“(…) Não sabemos ao certo como Sebastian se sentiu quando saiu da Red Bull e foi para Ferrari, mas sabemos como nós nos sentimos. Foi como se estivéssemos deixando a casa onde crescemos, com todas nossas recordações, coisas velhas espalhadas por entre os cômodos, coisas essas que talvez não valessem um centavo, mas que eram caras demais para deixarmos para trás sem, sequer, sentir receio de deixá-las.”
Escrevemos esse trecho em um texto sobre a ida de Sebastian à Ferrari. Sobre o medo do novo, do incerto, da mudança. Sobre mergulhar de cabeça numa atmosfera que poderia ser bem profunda ou rasa demais. Escrevemos esse trecho quando acreditávamos que, na Ferrari, estaríamos em casa, afinal, dizem que lar é onde o coração está.
E fomos de mala e cuia, porque sabíamos quem nos atenderia na porta. Sem imaginar que nossa estadia tinha termo final, como num contrato de aluguel, chegamos a acreditar que os fins de semana vestindo vermelho eram de nossa propriedade. Mal sabíamos que éramos meros inquilinos.
Sebastian Vettel chegou à Maranello inspirado no seu ídolo, Michael Schumacher. Disse, uma vez, que “ninguém é maior que a Ferrari”, mas talvez nunca houvesse espaço suficiente para tanta esperança trazida na bagagem. Esperança não só de Vettel, mas de todos nós que aceitamos nos mudar com ele. Maranello, que um dia foi o reino de um alemão, implorava por reforma. Sebastian parecia a pessoa certa, por tudo que já era, por tudo que ele poderia ser: o hino italiano emendando no alemão, a tradição, o clássico, a história.
14 vitórias, 12 poles position, 55 pódios e 2 vice-campeonatos pela Scuderia. Números que o coloca entre os melhores dentre todos aqueles que, um dia, guiaram o carro vermelho; números que significam absolutamente nada àqueles que confundem história com sucesso. Aliás, seriam esses conceitos concretos ou abstratos?
Depende do eu-lírico. Aquele que vos escreve, diria: Sebastian teve, sim, um reinado histórico. Talvez nem Seb concorde com todas as benfeitorias que trouxe à Maranello, como o próprio já declarou. Mas nenhum título mundial apaga o sorriso, a emoção, a crença, o arrepio e todas as sensações incríveis que um fã de Fórmula 1 sentiu enquanto Sebastian soltava um “Grazie Ragazzi” no rádio. Sebastian não só trouxe esperança à Maranello, Sebastian era a esperança. Depende do eu-lírico, mas aquele que vos escreve, diria: bem-sucedido é aquele capaz de construir uma base firme com tijolos que os outros atiraram nele.
Dizem que todo bom rei tem seu traidor. Não sabemos ao certo como Sebastian se sentiu quando foi despejado de Maranello, mas sabemos como nós nos sentimos. Se um dia tivemos medo do novo, do incerto, da mudança, dessa vez, mal podemos esperar para fazermos as malas novamente. O receio virou alívio; a decepção, aprendizado. Se um dia ficamos na dúvida sobre quão profunda era a atmosfera ferrarista, hoje temos a certeza de que o fundo, na verdade, é raso e engana. A gente pula e se machuca. E talvez – só talvez – nessa queda, a adrenalina, as recordações ou a simples convicção de que fomos corajosos para pular, compensam. Depende do eu-lírico.
Enquanto uns viam fracasso, a Aston Martin viu oportunidade. Daquelas que só se tem uma vez na vida, a propósito, quem é rei nunca perde a majestade. E lá se vai Sebastian, suas quatro coroas e uma quantidade considerável de súditos que não se importam em começar do zero. Ou melhor, em recomeçar. Recomeçar onde é permitido sonhar e acreditar que se pode fazer a coisa certa. Recomeçar onde um título mundial é o propósito, mas não o único fim. O que esperar de Sebastian Vettel e Aston Martin? Que seja a combinação perfeita de conceitos
concretos e abstratos; que ambos possam mobiliar a história da F1 com momentos marcantes e inesquecíveis. Esperamos, de Sebastian Vettel e Aston Martins, o inesperado. Nos surpreendam com lealdade, otimismo, trabalho em equipe, honestidade, espírito esportivo. Essas são as peças mais caras que um time pode deter e ninguém pode comprar; não estão à venda. Não se esqueçam disso”.
Vida longa ao rei!(Andrea Borges Leal, Thais Muray, Karolina Pedroni, Juliana Grou, Milena Ferreira, Jennifer Hugen e Natália da Silva)