Em defesa de Sebastian Vettel

Foto: PEDRO PARDO / AFP

Vettel, nos últimos tempos, passou de um elogiado tetracampeão mundial para alguém ressentido, ciumento e inconformado com o sucesso de Lewis Hamilton. Buscam até nas fotos expressões contrariadas quando sobe ao pódio junto com o piloto inglês, habitualmente em um degrau mais baixo. O que há de realidade nisso?

Bem, nenhum esportista gosta de ser derrotado. Se ele não estiver se importando em perder, certamente sua carreira estará perto do fim. Recentemente, Messi foi escolhido pela sexta vez como o melhor jogador do mundo pela Fifa. Cristiano Ronaldo, também cotado, nem apareceu na cerimônia para não assistir à consagração do rival argentino. Competitivo como é, Cristiano vai atrás do título nesta nova temporada. Portanto nenhum demérito em relação ao português.

É claro que Vettel não deve estar satisfeito com o resultado do Mundial de F1. Ele está em sua quinta temporada pela Ferrari e ainda não conquistou o primeiro título pela equipe italiana. A Ferrari não vence o campeonato de pilotos desde 2007 quando Kimi Raikönen conquistou o título. Vettel chegou à Ferrari bem depois, em 2015. A temporada atual é a sua quinta pela Ferrari. Michael Schumacher só conquistou o seu primeiro campeonato pela Casa de Maranello no seu quinto ano pela escuderia. Perdeu disputas para Damon Hill, Jacques Villeneuve e duas a para Mika Hakkinen. Mas isso não fez dele um ressentido.

A marcação em cima de Vettel que, queiram ou não, deu um novo patamar para a Ferrari, tem algo a ver com seu comportamento sereno e discreto fora da pista que destoa de antecessores como Fernando Alonso. Na corrida, como seu viu no GP do Canadá, por exemplo, a história é outra.

Vettel pegou a Ferrari em uma situação delicada, a partir de 2015. No ano anterior, 2014, Fernando Alonso só conseguiu o 6º lugar no campeonato. Em 2013, o mesmo Alonso foi vice mas com 155 pontos de diferença para Vettel. Vettel foi 3º em seu primeiro campeonato pela Ferrari com 103 pontos de distância para Hamilton. O alemão foi vice nas duas últimas temporadas respectivamente com 46 pontos de diferença em 2017 e 88 pontos no ano passado, ambos em relação a Hamilton. A evolução foi indiscutível. Se o carro garantir e a equipe cumprir sua parte com a eficiência que se espera dela, Vettel é páreo para enfrentar Lewis Hamilton ou Bottas ou seu companheiro Charles Leclerc. Ninguém é tetracampeão mundial de Fórmula 1 por acaso.

Sobre o domínio hegemônico da Mercedes nesses seis últimos anos, convém lembrar que: 1 – Michael Schumacher foi um dos artífices na formação da equipe em seus três anos, defendendo a escuderia (e só subindo ao pódio uma única vez); 2 – o austríaco Torgen Christian ‘Toto’ Wolff está na escuderia desde 2013 e, junto com Niki Lauda, criou essa estrutura vencedora; 3 – a Ferrari fez mudanças recentes em sua cúpula; 4 – fosse Vettel no lugar de Hamilton – que é um piloto absolutamente excepcional  – a equipe continuaria vencendo.

Vettel e seus adversários estarão em Interlagos na disputa do GP Brasil de Fórmula 1, em duas semanas. E Interlagos é uma pista muito boa para se avaliar a técnica de cada piloto, com variações de alta e baixa velocidade e curvas difíceis. A Ferrari se dá bem, a Mercedes também. Vettel e Hamilton irão para o tira-teima?

O Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 acontece nos dias 15, 16 e 17 de novembro, no autódromo de Interlagos, em São Paulo. Os ingressos para a corrida, informações e imagens em 360 graus dos setores estão disponíveis no único site oficial do evento: www.gpbrasil.com.br. O GP Brasil também está no Instagram e Facebook: gpbrasilf1.

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