Especial Coronavirus: Rizin – A luta sobrevivendo a pandemia no Japão

Rizin luta contra pandemia para se manter ativo em retomada – Divulgação/Rizin FF

Direto de Saitama, Japão.

Em um ano totalmente atípico, todos os esportes tem enfrentado adversidades em meio a uma pandemia sem precedentes do Coronavirus.

E como não poderia ser diferente, o mesmo cenário aqui no Japão com os eventos esportivos precisando encarar a nova realidade.

O blog acompanhou de perto o retorno das atividades do principal evento de lutas do país, o Rizin Fighting Federation que desde agosto voltou a realizar shows com público após três edições canceladas no primeiro semestre.

Sem apresentar números de casos de Covid-19 como Brasil e Estados Unidos, mesmo com 82 mil casos e cerca de 1500 mortes, o Rizin resolveu correr o risco e em agosto colocou 7 mil pessoas em duas edições em Yokohama e 5 mil no último show que aconteceu neste último fim de semana.

5 mil pessoas estiveram no Saitama Arena no Rizin 24 em meio a pandemia do Covid-19 – Reprodução/Twitter

Seguindo os protocolos de segurança estabelecidos pelo governo como distanciamento social, uso obrigatório de máscaras, medição de temperatura na entrada do local e registro de informações pessoais de cada pessoa que estiver no evento, incluindo funcionários e mídia especializada, além da obrigatoriedade do uso de um novo aplicativo do governo no celular que monitora os casos e avisa os usuários de uma potencial aproximação de uma pessoa infectada através do sistema de GPS, o Rizin foi realizado sem problemas em Saitama.

Distanciamento social é uma das medidas adotadas pelo Rizin – Reprodução/Twitter

Os lutadores, incluindo corners e funcionários da organização foram testados via teste PCR (aquele de saliva e cotonete) e todos os testes deram negativo.

Fotógrafa oficial do evento, Sachiko Hotaka, uniformizada com máscara e luvas – Reprodução Twitter

A pesagem oficial também foi restrita somente a corners e funcionários, sendo que o público tinha acesso antes e agora somente o staff da organização pode comparecer para evitar a propagação e contágio do vírus.

Astro japonês, Tenshin Nasukawa em pesagem fechada para público e imprensa devido a risco de contágio de Covid-19 – Reprodução Twitter

As restrições também atingiram o público que foi proibido gritar e apenas torcer por seu lutador (a) favorito através de aplausos e os fãs também foram proibidos de ter contato com os atletas durante sua entrada e saída do ringue, algo muito comum em esportes de combate.

Mesmo diante do risco, a segurança das pessoas sempre foi prioridade para o Rizin e confirme o avanço seguido pelo monitoramento governamental, a retomada tem sido efetuada passo a passo.

Depois de três shows com forte limitação de público (o Saitama Arena pode receber até 42 mil pessoas), existe uma esperança que o próximo show, no fim do ano venha acontecer com pelo menos 50% da capacidade.

Ainda não temos certeza. O governo liberou o futebol e o beisebol para ter 50% do público nos estádios. E nestes três eventos mostramos que podemos fazer um show seguro e sem riscos para o público. Se obtivermos a autorização, podemos fazer um show para 21 mil pessoas aqui no Saitama. Se não, estamos pensando em duas edições de cinco mil pessoas mas é algo que ainda não está definido.” disse o Presidente do Rizin, Nobuyuki Sakakibara em entrevista pós luta no Rizin 24.

Em meio as viagens que fiz a Yokohama, Tóquio e Saitama para acompanhar de perto as três edições do Rizin, tenho observado a total transparência da organização que intensamente tem divulgado as informações e protocolos de segurança ao público.

O uso de máscaras em locais de intenso movimento e também de álcool gel além do distanciamento social principalmente em shows de grande porte, é um diferencial que fez do Japão, um dos países de primeiro mundo com números muito baixos tanto de contaminação como de mortes do Covid-19.

Disciplina japonesa e uso de máscaras são aliados contra pandemia sem lockdown – Foto: Bruno Massami

Esta disciplina da sociedade japonesa, tem ajudado o país ao pouco retomar as atividades sem grandes problemas.

Em meio a incerteza acerca do futuro pós pandemia, o país continua de forma responsável buscando voltar as atividades neste novo normal.

É incômodo para o torcedor não poder expressar intensamente suas emoções neste momento mas a compreensão e paciência aliado a disciplina e apoio dos fãs para manter os eventos vivos é um dos fatores marcantes neste presente pesadelo que estamos vivendo.

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