
O novo acordo anunciado pelo UFC nesta terça feira com a empresa de material esportivo Reebok, causou um grande debate entre os fãs e profissionais do esporte.
O acordo que só entra em vigor no meio do ano que vem, vai trazer mudanças bruscas na forma de se promover e na maneira de se conduzir os negócios.
A empresa americana passa a partir de agora, a produzir materiais esportivos e kits para lutadores e comissão técnica que devem ser usados na semana do evento.
Prós e Contras…

O UFC resolveu de uma vez por todas, entrar de cabeça no famoso hall de grandes eventos que possuem grandes marcas, como NBA, NFL (National Football League, futebol americano), MLB (Major League Baseball), NHL (National Hockey League) entre outras.
Visando acabar com a poluição visual em seu evento, os banners de atletas que tinham seus patrocínios pessoais e marcas de empresas diversas, deixam de existir.
Além disso, os lutadores serão obrigados a usar apenas o material que vai ser dado pela empresa na semana da luta, o que pode acarretar em um desinteresse de empresas que patrocinavam atletas em busca de visibilidade através do UFC.

Preocupados, empresários e lutadores ainda não sabem como a mudança vai funcionar na prática, já que o pagamento de parte do valor do acordo vai ser através da posição do atleta no Ranking feito por diversos jornalistas (que este blog está incluído).

Este método também foi muito criticado porém o UFC tentou encontrar uma forma de não se envolver nesta questão, se isentando de qualquer julgamento, da mesma forma que o evento contrata Comissões Atléticas para julgar seus combates.
Porém, deixar a decisão indiretamente nas mãos de 60 profissionais pode ser vista com maus olhos, mesmo a maioria dos jornalistas atuando em veículos de grande credibilidade no mundo.
O lado bom é que o Ultimate agora está incentivando seus atletas a trabalhar de forma incisiva sua imagem.
Aqueles que não gostavam de dar entrevistas, que não se preocupavam com o público e fãs, vão precisar trabalhar este lado.
O Marketing Pessoal dos atletas vai sofrer uma grande mudança. Sem o aditivo do uso de materiais de seus patrocinadores na semana da luta, a criatividade, estratégia da equipe que está ao redor do atleta e uma maior atuação de sua assessoria de imprensa vai ser fundamental para o sucesso ou esquecimento do mesmo.
Nos Estados Unidos este estilo de trabalhar já funciona a alguns anos e no Brasil, apenas atletas de ponta como Júnior Cigano, Anderson Silva, Rodrigo Minotauro, Vitor Belfort, Maurício Shogun, Lyoto Machida tem um estilo de trabalho parecido, aonde os mesmos dão importância aos compromissos profissionais da mesma forma de sua preparação para uma importante luta no UFC.
Sai os “aventureiros”, “exploradores” e entram os “profissionais”…
Esta mudança vai causar um verdadeiro choque de interesses nos bastidores do esporte.
A comunidade de atletas que era em grande parte refém de alguns empresários (não todos), agora tem a oportunidade necessária para definir seu futuro.
Aqueles que procuravam apenas dar apoio ao atleta em troca de grande porcentagem de suas bolsas e patrocínio certamente não vai mais ter espaço no esporte.
Com um maior trabalho, os profissionais qualificados, que conhecem o esporte vão ganhar mais evidência e certamente terão mais sucesso do que aqueles que estão recentemente no MMA devido ao “boom” do UFC no Brasil.
Os lutadores terão autonomia para decidir melhor seu futuro e um poder maior de decisão, já que vão depender muito dela para garantir um futuro de sucesso e popularidade.
Outro ponto importante é que neste momento, as empresas que realmente pensam no bem do atleta, vão acabar se manifestando, coisa que já está acontecendo.
Empresas importantes, como a americana Torque (que patrocina atletas como Urijah Faber, Joseph Benavidez e TJ Dillashaw) e a brasileira MMA Experience já manifestaram seu apoio a nova medida do Ultimate.
Maior aproximação do fãs…
O fãs tem muito a ganhar com essa mudança.
Atletas que eram consideráveis “intocáveis”, terão que mudar a postura.
Muitos atletas que não tinham contato com os fãs, vão poder se aproximar deles, devido a nova gama de oportunidades que as empresas próximas ao mesmo podem proporcionar.
Seminários, Tardes de Autógrafos, Presenças VIP, Visitas a entidades sociais, novas parcerias com empresas que não são ligadas ao esporte e uma maior atuação dos atletas nas redes sociais pode ser o começo de uma revolução no esporte.
Prova disso é como o lutador Wanderlei Silva tem intensificado seu envolvimento com seus fãs, com postagens nas redes sociais, feito vídeos e aumentado sua presença em eventos, coisa que é rotina nos Estados Unidos e pouco usada no Brasil.

UFC se torna uma marca de grande porte e vem para disputar com os maiores do planeta…

Para quem duvidou dos planos audaciosos do UFC ao longo dos anos é melhor se preparar para o que vem por aí.
O UFC nestes últimos meses tem dado muitos indícios de que agora vai lutar para ser um dos maiores esportes do mundo.
Edições em estádios, uma propaganda intensa de sua marca, parceria com grandes marcas de diversos segmentos como a Reebok, EA Sports, em um longo prazo vão colocar o UFC no patamar dos grandes eventos mundiais no esporte.
O próprio sócio do Ultimate, Lorenzo Fertitta deixou bem claro que a idéia de crescimento e fortalecimento da marca e o Presidente da organização, Dana White tem metas audaciosas.
“UFC vai ser o maior esporte do mundo em 2020. As pessoas me achavam um lunático a 10 anos atrás. Mas as coisas que estamos trabalhando agora chega a ser incompreensível.
O esporte foi sancionado em Massachusetts e Vancouver. Estamos trabalhando em levar o UFC para o mundo todo. Nós já realizamos eventos na Alemanha, Inglaterra e Irlanda, vendemos 22.000 lugares para um evento na Austrália em 15 minutos
“O UFC vai estar na rede de televisão nos próximos anos, mas nós não vamos sair e fazer um negócio estúpido porque nós não precisamos deles. Nós construímos essa coisa sem a ajuda de ninguém, e é por isso que o UFC tem sido capaz de florescer, mesmo nestes tempos difíceis.
“Eu pego dois caras e colocá-los em um octógono e eles podem usar qualquer arte marcial que eles querem, que transcende todas as barreiras culturais. Agora nós estamos em alguma forma de televisão em mais de 175 países. Somos todos seres humanos e todos nós queremos ver lutas”. preveu Dana em uma entrevista realizada em 2009 para o site Las Vegas Sun.
Desde esta declaração, o UFC já realizou uma edição histórica em Toronto com 55 mil pessoas e neste ano de 2015 vai realizar seu primeiro evento em um estádio na Europa, na Suécia.
A Austrália também pode receber uma grande edição em Melbourne em um estádio com capacidade entre 55 a 70 mil pessoas (com o uso do gramado).
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O que podemos esperar é muitas mudanças. O próprio UFC está preparado para receber críticas construtivas e certamente ajustes devem ser feitos.
A esperança é que os lutadores possam vir a melhorar suas receitas mas ao mesmo tempo isso vai exigir um empenho dos mesmos neste quesito.
O esporte está mudando e quem não quiser acompanhar esta evolução certamente vai acabar sendo esquecido.
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